segunda-feira, 18 de junho de 2012

Não, ela ainda não tem nome. Mas o quartinho está me saindo uma tetéia!

Ora, ora, se não são estas as leitoras mais pitaqueiras deste mundo?

Pois não será por falta de palpite que esta criança nascerá sem nome, concordamos nisso?

Engraçado que quando comentei com marido que estava super confusa (entre um nome e outro) e que ia pedir a opinião de vocês, o rapaz virou e disse:

- Magina, é uma coisa muito pessoal isso de nome - duvido que elas vão querer se manifestar a respeito. Duvido mesmo.

Tá aí, ó. Uia, pessoa de pouca fé, esse pai dos meus filhos! Gente?

Ah, e somente pra constar  - não, nós ainda não batemos o martelo e a criança permanece desnomeada. Estou à espera de um sonho, um sinal da vida, um sopro divino, sei lá.

Aguardemos os próximos capítulos.

***

A criança pode não ter nome, MAS o quartinho dela começa a ser garantido, deus conserve.

E é sobre isso que eu vim aqui falar com vocês: lembram que ano passado meu ser foi subitamente invadido por uma fúria louca do Faça Você Mesma?

Uma empolgação, uma febre, um remelexo, que foi me invadindo, me ocupando os orifícios corporais e acabou por me render o aniversário mais cuti-cuti de todo sudoeste asiático?

Pois é, colegas. A empolgação voltou.

E agora em forma de Faça Você Mesma 2012 - Versão Quarto do Bebê.

Ocorre que, apesar de estar com a vida corridíssima (filho AINDA em férias, vida expatriada, inacabáveis dramas, hormônios etc) eu ando com uma insônia gravídica tão avassaladora que só me resta ocupar a cabeça com fofurices. Eu podia tá robano, eu podia tá acordano o marido, mas estou me jogando no DIY.

E também achei um desaforo a pessoa ter que pagar mil-e-poucos por um móvel bebesístico. Então comprei um de cento e pouquinho e resolvi dar uma purpurinada na pobreza.

Então puxem suas cadeiras e acompanhem o milagre da purpurinização!

Senhoras e senhores, eis um móvel de cento e pouquinhos dinheiros.

Ele é sem gracinha, ele é basicão, ele não tem viço...

[caption id="attachment_2119" align="aligncenter" width="614" caption="oi, eu sou um móvel sem gracinha, eu não tenho viço"][/caption]

 

Agora acompanhem o milagre do entecidamento do mesmo. Praticamente uma cirurgia plástica gavetal.

[caption id="attachment_2138" align="aligncenter" width="720" caption="O momento da cirurgia plástica gavetal"][/caption]

E o resultado pós-botox entecidamento...é esta tetéia aqui!

[caption id="attachment_2131" align="aligncenter" width="720" caption="Móvel sem graça ficava a sua vó. Eu sou uma tetéia graciosa!"][/caption]

 

***

Colegas, eu tinha que dividir isso com vocês.

Analisem: se EU consegui fazer isso,  então qualquer pessoa com idade acima de um ano e meio há de conseguir.

Para transformar aquele móvel marromeno em algo supimpa, você precisa entecidar!

Anotem aí. Você vai precisar de duas coisas.

Tecidos diversos:

[caption id="attachment_2126" align="aligncenter" width="720" caption="Prazer, nós somos os tecidos diversos"][/caption]

- Cola milagrosa:

[caption id="attachment_2127" align="aligncenter" width="314" caption="Pode me chamar de milagre em forma de spray."][/caption]

Só isso, cumadis. Mesmo. Sem segredinhos, sem maiores mimimis. Coloca a gaveta de barriga pra cima (?), passa o spray e cola o tecido. That's all. Depois que o tecido já estiver colado (seja paciente, moça, espere um minutinho!), você vira essa parte já colada pra baixo, e começa a dobrar o tecido remanescente pra dentro das gavetas. Meio chatinha essa parte, mas nada que uma musiquinha alta não resolva.

Depois de tudo colado você coloca os puxadores de volta (eu mencionei que tinha que tirá-los antes, não??) e pronto!

Gente? Mais fácil que amar filho, vá!

Claro que seria muito mais charmoso eu vir até aqui e dizer que eu tinha lá uns tecidos sobrando e resolvi reaproveitá-los na reforma de um móvel sem gracinha.

Não, senhoras - eu ainda me encontro naquele nível de DIY onde a pessoa compra o tecido. Mas foi baratinho demais e eu estou deveras faceira e realizada com o resultado! E doida pra entecidar tudo que me passe pela frente. Te cuida não, marido!

***

Que mais.

Ah, lembram das jarras de alumínio que eu usei no Halloween do filhote? Uma delas já se acoplou ao quarto da bebê. Noah trouxe pra casa um punhado de galhos que achou na rua. Iluminada pelo espírito do Faça Você Mesma, eu - adivinhem - mandei-lhe uma roupagem (?) de guache no galho. Depois foi só colar umas florzinhas de tecido de lojinha 1,99 e voilá!

[caption id="attachment_2135" align="aligncenter" width="480" caption="já fui halloween, agora sou eco-silvestre "][/caption]

***

Por último, vocês lembram daqueles círculos de madeira que pessoas prendadas usam pra bordar? Tem nome aquilo, colegas?

Em meio às minhas insônias gravídicas e ataques à geladeira eu descobri que elas podem servir de moldura. Alá:



 

Feltro baratinho + círculo de bordar (?) = quadrinhos diversos. Já fiz uns quatro, pretendo encher a parede com círculos de  diferentes tamanhos (a pessoa não tem limite, percebam).

***

E me segurem porque eu acabei de achar umas belezocas baratinhas que estão IMPLORANDO pra serem trabalhadas e incluídas da purpurinização 2012:

[caption id="attachment_2143" align="aligncenter" width="720" caption="A gente não quer ficar de fora!"][/caption]

E daí? Será que orna eu entecidar uma espuma e fazer um colchão pra essa cama?

Dicas e devaneios, vos imploro?

Ainda tenho que dar uma purpurinada no berço (ele é da turma dos sem-gracinha), fazer um móbile colorido pra distrair a bebéia, essas coisas de pessoa do lar.

Do lar - pero sin perder la purpurina jamás.

 

quarta-feira, 6 de junho de 2012

a escola hippy, a australiana dramática e o nome da minha filha

Eu juro que pensei que fosse conseguir vir aqui uma vez por semana, mas filhote entrou em férias DE NOVO, colegas,  pela quinta vez só neste ano. Tem cabimento um troço desse?

Nessas horas eu me pergunto: o que está acontecendo com as instituições de ensino desse mundo globalizado? Precisa lá de tanto recesso? Cadê direitos humanos?

Mas é nisso que dá a pessoa escolher escola hippongo-alternativa, colega.

Na hora que você visita a escola rola toda aquela boa impressão, os riponguinho-lá-tudo-sorridente,  de posse de suas granolas, as professoras lá tudo-ca- pele-boa, de tanto comer tofu.

Você faz um tour pela escola e é apresentada à rica fauna do local - geralmente um par de coelhos desdentados e uma ou duas galinhas magras. Aliás, cumadis, fiquem atentas - isso de mostrar que a escola tem bicho é o golpe mais eficaz da atualidade jardim-infantísica mundial: toda mãe urbanóide faz-ques-tão que o filho tenha contato com ambiente mais bucólico, daqueles com quintal, dengue e porquinho da índia.

Daí você pergunta sobre o calendário escolar e os recessos e nego disfarça, assobia, te oferece um tomate sem agrotóxico e aponta pro céu "veja o arco íris, deve ser um sinal".

Sinal, sei. Sinal de que você vai se ferrar, cumadi, vai por mim. Hippy gosta de granola, de fralda de pano e de férias. Fé-rias, pra modo de plantar alfafa e curtir o arco -íris.

E, veja bem, não é porque uma escola segue as linhas construtivistas, montessorianas ou tem dois coelhos no quintal que elas serão baratinhas, viu colegas? Oh, no no no. Quanto mais a palavra "lúdico" aparecer no discurso, mais cara a escola será. Quanto mais seu filho "reconstruir" a vida cotidiana (leia-se limpar o chão, cozinhar, lavar roupa) mais você vai pagar por isso. Final dos tempos?

[caption id="attachment_2072" align="aligncenter" width="764" caption="limpar o chão da escola pode encarecer a mensalidade em até 20%"][/caption]

 




[caption id="attachment_2074" align="aligncenter" width="768" caption="apertar parafuso: outras 20% adicionais na mensalidade"][/caption]

[caption id="attachment_2081" align="aligncenter" width="764" caption="organizar material de madeira centenário: outros 20% na conta"][/caption]

[caption id="attachment_2076" align="aligncenter" width="764" caption="ver o mundo sob outro ângulo: não tem preço"][/caption]

***

Mas daí, quando chega a apresentação de fim de ano, quanta diferença - as crianças aposentam o pano de chão e a vassoura e se vestem de advogados, percebem?

[caption id="attachment_2078" align="aligncenter" width="1024" caption="a gente limpa, arruma e advoga"][/caption]

 


•••

Essa foto United Colors of Benetton aí de cima é dos meninos da escola, na apresentação de final de ano passado. Tem australiano, cingapureano, chinês, inglês, sul africano, canadense, indiano, paquistanês, francês, alemão e, claro, brasileiro.

Nessa misturança toda, praticamente um comitê mirim da ONU, cada um quer puxar a sardinha pro seu lado. Outro dia fui buscar Noah na escola e ouvi o colega sul africano se gabar, dizendo que na Africa do Sul tem leão.

Ao que a australiana, de menos de um metro de altura, responde:

- Leão não é nada. Na Austrália tem cangurú, ok? Cangurú é muuuito legal.

Nisso o brasileirinho, também conhecido como razão do meu viver, replica:

- E no Brasil tem ...tem...tem...dinossauro!

Ah, mas aí a australiana, que é sabida que só ela, desconfiou:

- Dinossauros? Impossible! Nem tem dinossauros no Brasil, you silly thing (tipo bobão). Dinossauros estão extintos, eles não existem mais, tá bom?

Resolvo me pronuciar:

- Vam'bora Noaaaah, o taxi tá esperando, pega lá a mochila!

- Mas mamãe! Ela tá dizendo que no Brasil não tem dinossauro! Né que tem? Né que tem mamãe, né?

E me lança este olhar:

[caption id="attachment_2085" align="aligncenter" width="480" caption="Por favor, mamãe, por favor?"][/caption]

(Pausa. Agora visualizem o cenário caótico e se compadeçam. Chovem canivetes e facões gaúchos. Você a pé, completamente ensopada, indo buscar a criança. Avista o último taxi disponível na ilha, se joga na frente e ameaça matá-lo com uma barrigada se ele não parar imediatamente. Implora que o taxista espere até que você pegue a cria. Taxista diz que espera, mas só meio minuto. Você quer muito fazer xixi - porque é isso que grávidas fazem. Você sabe que o certo é falar a verdade ("Não, não tem dinossauro. Mas tem Michel Teló e Pelé.") Mas a verdade, nesse caso, vai exigir toda uma explicação e insistência e ...e...

- Claro que tem dinossauro no Brasil, tem sim! Agora corre pegar sua mochila, boraaaaa?!!

A australiana de menos de metro de altura, que também é nossa vizinha no condomínio, se despede de mim com um olhar bem desconfiado...

[caption id="attachment_2088" align="aligncenter" width="400" caption="dinossauros, ein? sei..."][/caption]

***

Ah! Eu mencionei que a australiana é nossa vizinha, não mencionei? Pois é.

Três dias depois do ocorrido, filhote e eu descemos no playground e lá está ela, no escorrega. Assim que me vê ela puxa a mãe e, de longe, eu consigo fazer uma leitura labial básica, a pequena dizendo:

- Tem sim, mamãe, tem dinossauro no Brasil.

- Claro que não, minha filha, quem te disse uma bobagem dessas?

E num daqueles momentos em que uma mãe testemunha seu último respiro de dignidade evadir-se para todo sempre, a pequena dedo-duro vira-se em minha direção e, em câmera lenta, aponta o indicador ao meu semblante prenhe, emitindo um audível, lento e inconfundível...

- FOI EEEEELAAAA.

***

Essa australianazinha é uma parada. Intimamente eu fico sonhando que a filhota me saia meio assim, sabe, molecona, danada, rápida e dramática - MUITO dramática.

Dia desses fui buscar o pequeno na escola e vi a figurinha dramaticamente agradecendo a própria mãe porque essa matara um pernilongo que se aproximava de seu bracinho.

Ela poderia ter dito "valeu, mamãe, por ter matado o pernilongo". Mas não. O agradecimento foi feito no maior estilo novela mexicana, nos seguintes termos:

- THANK YOU, MOM, THANK YOU. YOU'VE SAVED MY LIFE! (Obrigada, mamãe, obrigada. Você salvou minha vida!)

***

Daí que eu simpatizo tanto com a figurinha, que ando considerando dar o nome dela pra filhota. Um nome curto, faceiro e pronunciável nas três línguas - português, francês (do pai e família paterna) e inglês (do dia-a-dia).

Claro que eu amo nomes compridos e bem brasileiros, gente. Não porque estão na moda e muito menos porque diferenciam a classe média e alta brasileira dos estrangerismos populares (tem disso, viu?). Mas porque são lindos e eu não hesitaria em escolher um nome super latino. MAS esta não é a minha realidade. Ainda que eu volte ao Brasil Noah vai acabar sempre estudando em escola internacional, eu tenho a impressão. Primeiro pra não perder o inglês e segundo porque o pai é francês, minha gente (ainda que seja o francês mais carioca da história...)

Então estou aqui, humildemente, pedindo opiniões.

Tenho dois nomes curtos, lindos e pronunciáveis na cabeça.

Chloe ( O nome da pequena cangurú)

e

Luna (Meio hippongo eu sei...mas hello? Você viu as fotos da escola que meu filho frequenta? )

***

Palpites, colegas? Eu sei que é meio roubada isso de pedir opinião porque, afinal, eu posso acabar escolhendo o nome não escolhido pela maioria. Mas, ah, gente, pra que ter um blog se a pessoa não pode nem discutir o sexo e o nome dos anjos?

Eu tenho em mim uma impressão de que dessa vez vou ter um filho que não me sairá as fuças do pai. Talvez até se pareça comigo - acho justo, depois de toda essa retenção de líquidos que me assola a silhueta (?)

Então talvez ajude que vocês tenham uma idéia de como eu era quando pequena. Já que minhas fotos de criança estão no Brasil, vou tentar descrever.

Pense em uma menina comum.

Com uma cara comum,  franja e cabelos comuns (e bem pretos).

Que gostava muito de se esconder e morava praticamente embaixo da mesa.

Que contava às amigas que seus olhos eram verdes de tanto comer formiga.

Que jurava que a babá era, na verdade, uma princesa, expulsa do castelo pela madrasta.

Pense Amélie Poulain.

[caption id="attachment_2107" align="aligncenter" width="375" caption="Quem comeria amoras desse jeito? A Chloe? Ou a Luna?"][/caption]

Pitaqueiras plantonistas, bora escolher o nome dessa criança?

***

ps: O Piscar de Olhos está com fanpage, deus conserve. O link da página, pra quem quiser curtir, é esse aqui http://www.facebook.com/piscardeolhos