quinta-feira, 22 de setembro de 2011

enquanto isso, no mundo das tentantes...



Você começa a perceber que engravidar pode ser um troço bem mais demorado do que você planejou quando:

1. Nada menos que 13 pessoas (tre-ze pes-so-as) engravidam no período em que você vem tentando engravidar.

TREZE - e eu não estou exagerando. Praticamente todos os dias da minha vida eu recebo um telefonema, email ou sedex me contando boas novas gravídicas. E, só por curiosidade e  amor às estatísticas, vale deixar registrado: 65% das ligações começam com o bom e velho "Tá sentada?"

Ontem  foi a vez da minha mãe:

- Tá sentada?
- Olha, mãe, se você me disser que está grávida, eu juro que me desfilio de vossa pessoa.
- Eu? Eu não, deus me livre! Quem tá grávida é a Clarinha, a filha da Judite. Imagina! Ela só tem 16 aninhos, mas aconteceu, né?

 

2. A moça da farmácia não bota muita fé de que você vá, de fato, conseguir engravidar. Pelo menos não tão cedo.

-Será que não é melhor comprar esse teste de gravidez mais caro? - você pergunta à moça.

- Não, minha filha, compra o baratinho mesmo. E se você levar 20 testes tem desconto.

- Vinte?? Mas o que raios eu vou querer com 20 testes de gravidez???

- Ah, você vai usando, vai usando esse mês, no outro, no outro...

***

Mês passado eu achei, realmente, que estivesse grávida.

Daí tinha que responder um questionário do dentista, cuja quarta pergunta era: "existe alguma chance de que você esteja grávida?" Respondi: sim.

Então a secretária me explicou que, nesse caso, eles procuram evitar determinados procedimentos.

Eu sorri, contente com os cuidados que eram distribuídos a (nós) gestantes. No que uma senhorinha chinesa vem, agarra meu pulso e diz "Pode ficar tranquila que você não está grávida, não, viu? Dá pra ver pelo seu pulso"

Minha vontade era descer-lhe um solavanco no meio das adivinhações chinesas dela. Mas eu não desci nada. Quem desceu foi minha menstruação.

***

Meu marido vive dizendo que a hora que eu mais gosto de conversar com ele é justamente quando todas as luzes se apagam, a gente deita, ele está exausto e eu começo com minhas dúvidas existenciais:

- Amor?

- Hã.

- Como será que aquele bruxa megera senhora sabia que eu não estava grávida?

- Não sei. Amanhã a gente pensa (bocejos).

- Amor?

- Hã.

- Lembra daquela vez que a gente atravessou aquela ponte da fertilidade e não jogou nenhuma moedinha na água?

- Hã.

- Será que a ponte ou a entidade fertilizadora do universo ficou brava e rogou uma praga pra gente não engravidar?

- Anhã.

- Falei que não custava jogar a moedinha, falei. Vai ver é isso. A entidade fertilizadora universal ficou muito puta da vida dela.

E convenci o marido a voltar lá no sábado e deixar uns vinte pilas pra debaixo da ponte, pra modo de apagar qualquer má impressão que a gente possa ter causado.

***

Agora me respondam, pessoas esclarecidas, se não é a mãe natureza novamente sacaneando a mulherada!

Porque é muito pouco dia útil, minha gente!

A pessoa menstrua 5 dias, ovula 1 (com repescagem de 2 ou 3 dias) e o resto do tempo, nego não trabalha? Não labuta? Não engravida?!

(Com exceção, é claro, da Clarinha - que adolescente engravida até quando menstrua não quer.)

Abraça eu?

 

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

 

Vá desculpando eu ser assim repetitiva, mas vim aqui de novo falar sobre loucos.

Ontem à noite eu fiz força pra lembrar quando foi exatamente que eu comecei a atrair loucos na minha vida. E conclui que o ima insanidade foi acoplado à mim ainda na tenra infância.

Eu tinha uns 7 anos, estávamos todos reunidos no churrasco do Tio Henrival, quando uma mendiga de um metro e quarenta apareceu no portão. Ela era toda sorrisos e me chamou pra assuntar:

- Vai lá buscar um prato de comida pra mim, já!

- Mas...eu...pera aí, moça, que eu vou chamar minha mãe.

- Num vai chamar ninguém, não. Ou tu me traz um prato de comida agora ou vou mandar o Tião atrás de tu, disse a anã, categórica.

Tião era louco mais intrigante do bairro. Daqueles que o povo gosta de dizer que já tinha sido ricaço, casado e pai de três filhos. Mas que um dia matou todo mundo e se jogou pro mundo dos becos.

- Tá bom, eu vou buscar.

A família inteira achou fofo isso de eu fazer o prato da pedinte.

- Tá aqui - eu disse.

- Mas eu não quero salada. Pode ir lá jogar esse mato todo fora e me coloca mais farofa e arroz. Vai, vai.

E ela sorria pra todo mundo, a falsa.

- Vai lá, se não quiser se complicar com o Tião.

Volto eu lá me desfazer da salada.

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

que tipo de mãe você é?

 

Eu tenho pra mim que existem três tipos de mãe:

- A mãe assumidamente louca;

- A mãe que é louca, mas jura que não é louca;

- A mãe que se faz de louca.

Falemos um pouco da mãe assumidamente tan-tan. Este é o tipo de mãe que inscreve a filha de 4 anos em um concurso de beleza, aplicando-lhe maquiagem, unhas e peitos postiços. Durante o evento de Miss Mirim, do qual a filha participa, ela chora, ovaciona e apaixonadamente grita frases rancorosas do tipo "Agora vocês vão me pagar por tudo que me fizeram!" ou "Me digam, agora, quem é o patinho feio, ein!?"

O segundo tipo, a mãe que é louca mas jura que não o é,  me parece bem mais discreta e pode, inclusive, passar despercebida em meio a outras mães. Eu mesma já fui vítima de uma mãe que não sabia quão louca era. Eu tinha 8 anos e estava discutindo com outra criança da mesma idade ou um pouco mais velha que eu. No meio da discussão a mãe da menina aparece na janela e grita "Não briga com a minha filha!" e me joga um balde inteiro de água fria na cabeça. Em seguida ela sorri, recolhe o balde, fecha a janela e nunca mais toca no assunto.

A terceira mãe não é louca mas acha mais prudente fazer-se de, quando a situação assim o demandar. São mães tidas como normais e civilizadas, mas que podem apelar para insanidade de vez em quando. Eu quero acreditar que faço parte deste grupo.

***

Um pouco de reflexão e auto-análise é tudo o que você precisa para saber em qual dos grupos você se encaixa. Eu vou descrever duas situações corriqueiras na vida de uma mãe e, em seguida, relacionar a reação de cada um dos grupos, a saber:

Situação número 1:

Vocês estão na praia, munidos de toda aquela brinquedalhada praiana. Brinca com um, brinca com outro. Um "amigo" pegou a pá emprestada do seu filho. Não tem problema, aprenda a dividir, dividir é bacana, blá blá blá sociedade alternativa. Garoto volta depois de meia hora sem a única pá que seu filho tinha pra brincar. Cadê a pá? May I have it back please? Não sei, perdi. Como assim? Cadê sua mãe? Tá lá. Oi, tudo bem, será que você pode me devolver a pá do meu filho? Ih, meu filho perdeu. Quanto custou? Eu pago.

Vamos às reações:

A mãe assumidamente louca:

- Cadê a pá da minha filha?

- Meu filho perdeu, desculpe. Quanto custa, posso te dar o dinheiro?

- O que????

Então a maluca começa a chorar, dizendo que aquela pá era insubstituível e tinha sido autografada por Pamela Anderson em pessoa. Grita, dá piti e por final aceita o dinheiro. Quando todos dão o assunto por encerrado, ela volta: sobe em cima da mesa e, dançando a Macarena, rasga o dinheiro e tira a parte de cima do biquini.

A mãe que é louca mas jura que é normal:

Ela faz que entende o ocorrido e diz que não tem problema. Em seguida vai até a sacola da família, surrupia todos os brinquedos do moleque e sai de fininho. Não sem antes surrupiar, também, a carteira do pai do garoto.

A mãe que se faz de louca:

- Seu filho perdeu a pá do meu filho, é isso?

- Perdeu, ué, quanto custou? Eu pago!

- Não importa o valor, eu não vou achar nenhum lugar pra comprar uma pá agora, concorda? A questão é que essa foi a única pá que nós trouxemos pra ele brincar.

- Puxa, a gente também só trouxe uma.

- Não tem problema, o seu filho empresta a dele pro meu filho brincar.

- Mas daí o meu vai ficar sem?

- Me parece justo, uai, foi ele quem sumiu 40 minutos com a única pá do meu filho pra depois voltar e dizer que perdeu a tal da pá? Vira pro marido e fala - Eu estou calma, amor, calmíssima. Eu só acho que ela tem que dar o exemplo pro filho dela, gente.

O pai do perdedor de pás, então, se aproxima e estende a pá, não sem protestos da mãe e do filho.

- Não quero mais, não. Eu só queria que ela entendesse que está errada.

Passado o estresse, filhos brincando juntos, a família perdedora de pás começa a recolher as coisas pra ir embora. Cadê o caminhão? Filho, cadê o  seu caminhão?

- Ih, responde a mãe que se faz de doida. Noah Meu filho estava brincando com ele e perdeu!

- Como? - diz a mãe do perdedor de pás.

- Perdeu. Quanto custou? Eu pago!

Depois sorri e desmente:

- Brincadeirinha, tá aqui, ó.

E tira o brinquedo que havia escondido embaixo do escorrega.

Situação número 2:

Vocês estão em um Café daqueles que tem parquinho e atrações infantis em geral. Crianças balançam, gangorram, sorriem e se abraçam, enquanto seus pais degustam seus bem cobrados capuccinos. Tudo parece estar em paz.

Tudo, exceto por um pequeno delinquente rapaz, de uns 5 anos de idade, que inventa de arremessar pedras nas outras crianças. Nem areia, nem barro - pedras. Pe-dras. Joga em um, joga em outro.

Agora vamos às reações.

A mãe assumidamente louca:

Grita, arranca a filha dali e leva pro lado pessoal.

- Ei! Pirralho! O que você tem contra a minha filha, ein? Responde! Só porque ela é mais linda, a mais inteligente, a mais maravilhosa de todas as crianças? Ein, é isso? Responde! Invejoso! Invejoso!

Então ela ajeita o cabelo e a maquiagem da filha, caminha em direção às pedras, coloca umas 4 ou 5 na bolsa (?) e vai embora dali pra sempre, sem pagar a conta.

A mãe que é louca mas jura que é normal:

Anda em direção ao rapaz, pega uma pedra na mão e zap, na bunda dele. Depois ela pega outras duas pedras, lambe, morde, cospe nas pedras. Caminha em direção à mesa dos pais do fedelho e, sorrindo, enfia uma pedra cuspida no café do pai e outra no café da mãe.

A mãe que se faz de louca:

Decide que precisa fazer algo a respeito. Olha pra um lado, olha pro outro, localiza os pais do arremessador de pedras. Lá estão eles: 2 cafés, 4 croissants e ZERO preocupação com os atos de delinquência infantil de sua prole.

Vai ter com eles.

- Oi, vocês são pais daquele menino de blusa azul e branca?

- Daquele lá? Sim, somos.

- Então. Ele está jogando pedras nas outras crianças.

- Não acredito, de novo?

- Sim, mas dessa vez acho que o bicho pegou.

- Como assim, o que aconteceu?

- Não sei, mas eu vi duas crianças gritando e elas estavam sangrando. Acho que os pais saíram, foram levá-las ao hospital. Mas fiquem tranquilos que eles falaram que vão voltar aqui SIM, pra ter uma conversa com vocês. Vocês ainda vão ficar aqui mais um tempinho, né?

Sorri, ajeita a bolsa por cima do ombro e vai embora, fazendo barulhinho de ambulância.




 

agradecimentos, amor e poder

Ai, quanto tempo, minha gente!

Juro que amanhã eu volto aqui, com um daqueles posts intermináveis e sem sentido.

Enquanto isso deixa eu agradecer por todas as palavras carinhosas por ocasião dos 3 anos do blog? Chorei, gritei e visitei um-por-um todos os blogues que constavam nos comentários deixados aqui. E mais uma vez constatei que eu tenho os melhores leitores desse mundo e pronto. Pronto!

O segundo agradecimento vai para todas as cumadis (e cumpadis!) que assistiram ao terceiro vídeo da TV MMqD, vibraram,  cantaram, viram a gente incorporando a Rosana, o Wando e o Ritchie e, ainda assim, continuam nos achando pessoas finas, elegantes e preparadas pra vida. Vocês são gentis demais.


[caption id="attachment_1758" align="aligncenter" width="400" caption="para ver o vídeo, não clique aqui"][/caption]


Eu queria poder dizer que estava toda trabalhada no amor e no poder ao filmar e editar o vídeo. Mas, verdade seja dita: eu estava mesmo era esculhambada na febre alta, já tendo alucinações e vendo índio no teto.

Mas ó lá se o resultado não ornou!

Quem ainda não viu, não perde não! Corre lá na TV MMqD, clicando aqui.

Amanhã eu volto! Juro! Beijo!