quarta-feira, 25 de maio de 2011

vou contar TUDO pra sua mãe

Daí que uma leva de pequenos infratores adolescentes entrou aqui no blog para aterrorizar. Deixaram oito comentários, todos bem ofensivos e levianos - não fossem cômicos.

"vocês ficum colocando as fotus do filho aqui s/nem se preocupar com os pedófilo" (sic)

"Olha aí ainda se acha boa mãe espondo o filho? vou denunciar no ratinho" (sic)

E por aí vai, é sic pra dar com os pés.

Na verdade eu nem sei qual a idade do grupo. O que me leva a crer que sejam adolescentes é a postura, a falta do que fazer, a ingenuidade, AS FRASES GRITADAS (adolescente adora escrever em maiúscula) e os erros de grafia. Ah, e o Ratinho - mencionado em quatro dos oito comentários.

Se bem que tem um bocado de adulto que não tem o que fazer, é ingênuo, GRITA e comete erros de grafia (eu, por exemplo).

Mas como eu prefiro acreditar que se tratam de adolescentes, segue minha resposta:

Caros Marcelo, Fernanda, Rodrigues, Valéria e Edu (IP 189.31.38.49)

Primeiramente, saibam que a tia não está brava com vocês.

Mas eu não posso permitir esse tipo de manifestação malcriada aqui no blog, combinados?

Porque, entendam, esse é um blog bacaninha, todo bem intencionado  e frequentado por uma galera maneiríssima.

Não fica bem esse negócio de vir aqui e GRITAR, falar palavrão, escrever coração com S e ir embora, deixando apenas o seu IP. IP este que, por sinal, é de Brasília, né não?

Tá bom meninos?

Olhem. A tia vai dar um voto de confiança pra vocês.

Mas se isso se repetir vou ter que falar com a mamãe, ok?

Eu sei que essa frase é irritante mas vá lá: na idade de vocês eu estudava, dava aulas de inglês, ajudava em casa e ainda sabia cantar Faroeste Cabloco do começo ao fim, sem gaguejar.

Então bora tomar prumo nessa vida, que está mais do que na hora?

Cordialmente,

Tia Roberta

***

E eu juro que não teria problema nenhum em bater um papinho com a mãe dos meninos. Primeiro porque sou mãe e agradeço a qualquer pessoa que me faça uma reclamação (legítima) sobre a conduta do meu filho.

Segundo porque essa é minha especialidade. Oh, yes.

Quando eu morava em Londres roubaram meu celular. Não um celularzinho qualquer, mas "O" celular. Novinho, o bichinho tinha menos de 1 dia de vida. Zero quilômetro, cheirinho de fábrica.

Eu cheguei a ligar pro celular roubado e -pasmem - o ladrão atendeu! Ele tinha a voz bem rouca, nunca vou esquecer.

Fiquei tão, mas tão puta da minha vida, que esqueci de cancelar o número, só lembrando de fazê-lo no dia seguinte.

Fui à polícia, liguei na companhia telefônica e, pra minha surpresa e desespero, o ladrãozinho já havia feito quatro chamadas pra Nigéria. Quatro. Tá? Quase duzentas libras, o prejú.

Ah, eu não tive dúvida: liguei pro tal do número Nigeriano.

- Olá, meu nome é fulana, eu sou do RH de tal empresa, aqui em Londres. Nós recentemente entrevistamos uma pessoa para ocupar um posto na nossa empresa, mas infelizmente os dados fornecidos estão completamente ilegíveis! Eu adoraria poder entrar em contato, mas acho que tem um dígito faltando e ...

Deu certo. A mulher falava inglês e imediatamente me disse "deve ser meu filho, moça". E me passou nome, endereço, telefone, ele é um bom menino, tal e coisa, tchau e bênção.

No dia seguinte fui à polícia com as informações. Os policiais morreram de rir, acharam tudo muito fofo e quase me deram um emprego vitalício na Scotland Yard. Me explicaram sobre a máfia dos celulares, falaram sobre o mau tempo, agradeceram, você é uma boa menina, tal e coisa, tchau e bênção.

Mas, ai, gente, eu ainda estava deveras emburrada com a coisa toda. E sendo brasileira, a gente sempre acha que polícia...bem, vocês sabem.

Então resolvi ligar no tal do número fornecido por aquela que, supostamente, era a mãe cega do delinquente. Era um telefone fixo.

Liguei, alô.

-Alô, posso falar com Fulano?

- Sou eu, disse o ladrão rouco. Reconheci a rouquidão vida bandida na-ho-ra.

- Olha só. Eu sei quem você é. E eu quero meu celular de volta.

Desligou.

Esperei duas horas, alô.

- Alô. Eu quero o meu celular. Se você não me devolver vou fazer da sua vida um inferno.

- I don't know what the fuck you're talking about.

- Oh, yes, you do darling. And ...

Tu-tu-tu, desligou.

Deixo passar um dia, alô.

- Sou eu de novo, devolve o meu celular.

- Não devolvo, ele está comigo but you're so fucking annoying (você é tão pentelha) que eu não vou devolver.

- Ah, é? Então me aguarde.

E aquele virou meu hobby, por muitos e muitos dias. E noites. Ai, como eu adorava chegar da balada, as 3 da manhã, e ligar pra casa do ladrão. Ligava de manhã, de madrugada, coloquei amiga pra ligar. Foi todo um plano.

E o coitado não tinha identificador de chamadas, era um telefone fixo, ele tinha que atender.

Um dia eu cansei.

- Oi, sou eu de novo. Não desliga, não desliga! Olha só, eu cansei. Pode ficar com o celular.

E desliguei, certa de minha missão: contar tudo pra mãe dele.

Putz, não foi fácil: eu contei tudo e ela chorava rios. Me disse que já desconfiava, que tinha deixado ele sozinho em Londres mas o moleque nunca teve juízo, que o pai dele também era ladrão, que ela sabia que o certo a fazer era voltar pra Londres e colocar o rapaz nos eixos, antes que fosse tarde demais...

E o que era  pra ser uma chamadinha rápida e dedo duro virou todo um programa da Marcia Goldschmidt.

Pode ter sido uma grande mentira, mas senti muita verdade em sua voz quando ela disse que:

- Está decidido. Ele que me aguarde, estou voltando pra Londres.

Tá certo que eu fiquei sem celular. Mas me bateu uma sensação de esperança, de dever cumprido, sei lá.

Claro que antes de dar o caso como encerrado ainda faltava uma ligaçãozinha...

Liguei, não atendeu. Deixei recado na secretária eletrônica:

- Oi, Fulano, sou eu. Olha. Só pra dizer que eu já esqueci do celular, tá bom? Sério mesmo, já dei por perdido. Ah, outra coisa. Ontem eu falei com a sua mãe, a Dona Ciclana, lá na Nigéria. Ela parece ser uma pessoa incrível e ficou super decepcionada quando soube que o filho estava roubando celular em Londres. E o mais bacana é que ela está vindo morar com você. E ela está bem chateada. Quites?

***

Isso que eu ainda não era mãe.

***

E falando dos desaforos adolescênticos e internéticos que a pessoa tem que engolir, lembrei de mais uma. Tinha acabado de chegar aqui, fim do ano passado, quando recebi um email da super blogueira-mãe-fofa-linda-alta-e-loura, a Luíza, do Potencial Gestante :

Assunto: O Noah por aí

Roberta, esse site é seu ou colocaram um vídeo do seu filho por aí?

E daí ela me manda o link desse site (não, eu não vou divulgar) que vende um genérico vagabundo de um produto que meu filho usou quando tinha 10 meses.  O produto que meu filho usou era original, registrado, patenteado e produzido nos Estados Unidos. O produto que esse site vendia era, como eu já disse, um "genérico" - aqui eufemismo para imitação.

Então o que que o cara de pau pensou: vou fabricar um produto igualzinho a esse, vender on line e...usar o vídeo desse lorinho aqui pra divulgar o meu produto! Tudo bem que o produto que ele está usando não é o que eu fabrico, mas isso é só um detalhe, ninguém precisa saber.

E foi assim que ele despertou a fúria de uma mãe. E recebeu emails cabeludos de minha pessoa. E ficou com medo. E culpou o Zé, o funcionário (cla-ro!)

Eu não tive nem tempo e nem disposição para entrar com o devido processo, tinha acabado de mudar pra Asia.

Mas minha intenção é deixar bem claro pra ele, pra outros empresários mal intencionados, pra comentaristas malcriados e ladrões de celulares, que nós somos mães, somos unidas e somos MUITAS. (**)

E da próxima vez, seu empresário, eu ligo pra sua mãe. Ah, se ligo.

 

(**) Duvida que somos muitas? Olha aqui, então! Tags: site em construção/todo um mistério/o espaço é todo nosso/e os empresários que se cuidem/mães anunciando de graça/sócia misteriosa/já tem conta no twitter/mães divulgando/mães debatendo/mais um desenho da Lu.

Breve, no cinema mais perto de você.

quarta-feira, 18 de maio de 2011

e tatuar nome do filho, pode? (da série: run, natasha, run)

Eu sei que ainda falta uma reforminha aqui, outra ali.

Mas não está ficando um pitelzinho esta residência? Hein?

E a ilustração, que espetáculo?! Quem fez foi a Lu Azevedo, aquela fofa talentosa.

Fofa, talentosa e paciente.

Porque, né, haja paciência pra atender esta cliente mala que vos escreve. Sabe o tipo de pessoa que quer uma ilustração onde o marido figure como Tarzan? Viajando de cipó de um país ao outro?  Sem muito fru-fru, que frou-frou não combina com o estilo do blog, meio palavrãozento?

Enfim, a Lu é o cara: rápida, talentosa, tem um preço bacanérrimo e um filho lindo de morrer. Recomendo super. Depois conto mais sobre o blog e outras novidades bloguísticas. Vontade de contar já, mas ainda está no forno (não, gente, eu não tô grávida).

***

Mudando de assunto:

Meu filho é rapaz desfraldado.

E, putz, esse foi o desfralde mais rápido, inodoro e  sem traumas que qualquer mãe desfraldadora já testemunhou. O processo se deu assim: primeiro ele pediu pra tirar a fralda. Dia seguinte comprei meia dúzia de cuecas, uma caixa de lexotan, um penico e me despedi da Pampers, aquela vazada ingrata.  E foi isso, fim da história.

A partir daí não houve uma vez sequer que ele não tenha pedido pra ir ao banheiro fazer o business dele. Nenhuma.

Sério, desfralde de novela.

Mas antes que comecem a me chamar de nojenta, metida, desgraçada, esnobe, mulambenta e de outros adjetivos fofos que atribuímos às mães que se gabam de suas maternidades perrengue-free (aquelas cirigaitas do "meu filho seeeempre dormiu/comeu/mamou/cagou/acrescente aqui alguma outra mentira"), deixa eu lembrá-las que isso não veio de graça -  eu sei que vou pagar caro por esse desfralde tranquilo.

Porque a mãe natureza, minha gente, trabalha por créditos.

E a verdade é que eu estava CHEIA de créditos a receber.

A saber:

- Meu filho não dormiu a noite inteira até os 16 meses de idade, dezesseis vezes trinta e uma noites na merda, me questionando se algum dia nessa vida eu saberia novamente o que é dormir. Tenho amigas desgraçadas cujos filhos começaram a dormir a noite toda com, tipo, 5 dias de vida.

- Meu filho não comia um prato inteiro até pouco tempo atrás, tipo, ontem. Tenho amigas nojentas cujos bebês batiam pratão de arroz e feijão com, míseros 7 meses de idade.

- Meu filho sofreu com cada um dos 102 dentes nascidos. Tenho amigas mulambentas que nem perceberam a dentição: foram dormir, acordaram e os filhos estavam lá, já com um bocado de dente na boca.

De onde se pode concluir que um desfralde manso e sem problemas é mais do que merecido e foi crédito conquistado.

Um cinegrafista amador registrou o momento em que papai e mamãe natureza discutiam o caso em questão.

- Essa moça ali já passou o cão, diz papai natureza. Filho não dormia, filho não comia. Posso dar uma aliviada no desfralde?

- Tá bom, alivia - responde a mamãe natureza. Mas os créditos dela terminam aqui. E ela que se prepare que eu vou mandar uma adolescência bem cabeluda.

- Vai mandar primeira nora bem ruinzinha da cabeça, é?

- Yep. Daquelas que arrotam, colocam os pés no sofá e gritam: "tiaaaaaaa, tem refri?" E o filho dela vai ficar amarradão. E vai tatuar o nome  BIA nas costas. Não, Bia, não. Manda NATASHA que é nome mais longo, daí a tatuagem vai de ombro a ombro.

***

Falando em tatuagem, ando cheia de vontade de me tatuar.

Sério. Sabe quando coroa acorda toda Susana Vieira, achando que tem 18 anos?

Daí perguntei pra três amigas-mães-não-virtuais o que elas achavam da idéia de eu tatuar o nome do filhote no tornozelo. A resposta foi gritada, num uníssono: Não faça isso, sua louca!!!

- Pensa, Roberta, tatuagem com nome do filho!

- Imagina quando ele tiver uma namorada!

- E ela souber que a mamãe do namoradinho dela tem o nome do rapaz atrelado ao tornozelo!

- Vai te chamar de louca e desaparecer da vida dele pra sempre!

Então eu fechei os olhos e imaginei a tal Natasha fugindo do meu filho pra todo sempre, após ter reparado no tornozelo tatuado da sogra. Realmente não faz o menor sentido esse negócio de mãe tatuar o nome do filho.

(Vou marcar a tatuagem pra amanhã. Goodbye, Natasha.)

***

E pra não dizer que não houve nenhum acidente desfraldoso, tivemos dois episódios: um na escola, onde ele passa as manhãs, e um com a mamãe aqui. Devo salientar que ambos acidentes ocorreram por culpa EXCLUSIVA dos adultos envolvidos.

No primeiro acidente Noah pediu pra fazer XIXI e a professora achou que ele estivesse dizendo XIE XIE, que significa "obrigado" em mandarim.

Tá? Fiquei com uma pena do meu bichinho. Cheguei em casa, escrevi xixi e cocô num papel e entreguei pra professora, pra que ela lembrasse como que se mija em português (ô classe), até que ele se acostumasse a pedir pra ir ao banheiro em inglês.

No segundo acidente a culpa foi minha. Era o terceiro dia de desfralde e sabe quando a sua cabeça ainda não raciocina como cabeça de mãe cuequeira? Pois é. Estávamos eu e filhote em um Café, quando meu telefone tocou. Era o entregador de alguma coisa, falando sobre detalhes da entrega, horário, endereço.

- Mamãe, mamãe!

- Filho, a mamãe tá no telefone.

-Mas mamãe...

- Shhhh, Noah, mamãe tá no te-le-fo-ne.

Daí ele não aguentou esperar pela bruxa mãe e fez xixi ali mesmo, no chão.

Tá? Fiquei com uma pena do meu bichinho.

(Depois o rapaz cresce, se apaixona por pessoa que atende pelo nome de Natasha, tatua o nome da moça nas costas-ombro-a-ombro e a mãe fica se perguntando onde errou.)

***

Voltando ao lance da tatuagem. Quando Noah nasceu, a enfermeira foi logo dizendo:

- Sortuda você. Menino escorpiano é suuuuuper apegado a mãe. O meu filho Marco Aurélio, por exemplo: tá com 45 anos e ainda mora comigo. Namorador que só ele, mas não deixa a mãe sozinha de jei-to-ne-nhum. Fica só enrolando as namoradas, sabe como? E olha que ele é bonito, tem um escorpião todo bordado no braço... Aliás, não é porque é meu filho, mas..

E eu só ali, com a cria no peito, mega high em ocitocina, tentando decifrar aquele monte de previsões horóscopo-enfermeirais.

Pensamento lento, primeiro me veio a cabeça o tal Marco Aurélio e sua tatuagem de escorpião. Depois lembrei de outros dois escorpianos que eu conhecia, que...peraí...também tinham escorpiões tatuados no braço!!

Lembro direitinho que eu pensei :

"Carai, não vai ter jeito. Um dia esse bichinho ainda vai me aparecer em casa com um escorpião enorme tatuado no braço esquerdo. Porque se-to-do escorpiano faz isso, ele não vai ser diferente."

E Noah continuava a mamar, a enfermeira a falar e eu a divagar:

"Bom, tudo bem, vai. Tatoo de escorpião é OK. Mas ó: que NUNCA me apareça de sunga amarela e nem branca"

(Please não me façam explicar os motivos de minha antipatia para com as sungas claras. Mas é que sunga clara é transparente, e acaba dando aquele efeito meio "bagunçado" na parte dianteira. A transparência da sunga dá um efeito meio acumulado naquilo tudo, percebe? Uma coisa meio sem eixo, sem norte, sem eira.)

Filho meu NUNCA vai usar sunga que deixe transparecer as partes acumuladas. E cofrinho aparecendo, então?! Soy contra, muy contra!

 

[caption id="attachment_1528" align="aligncenter" width="1024" caption="pagando a língua: agora só falta o escorpião tatuado no braço (e  NATASHA nas costas, ombro-a-ombro)"][/caption]

 

ps1: Mas no fundo eu ainda prefiro que ele tatue o nome da namorada nas costas. Que tatuar mamãe no peitoral não dá, né moçada? (juro que já vi isso na praia...)

ps2: Mas e mãe? pode tatuar nome da cria? pode? pode?

ps3: Gente bonita, repararam que o site agora é ponto net?! Peço encarecidamente que atualizem seus feeds (é assim que fala?) pra modo de não esquecerem de mim pra todo sempre. Enquanto seu blogroll (ui!) não estiver atualizado o Piscar fica lá, perdido no mundo das desatualizações, todo tristinho, enrugado e choroso. Agora, que sacanagem desse wordpress, hein? Não podia simplesmente atualizar no automático? Humpf.

 


 

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Noah está desfraldado, desfraldadinho da silva.

Foi o desfralde mais rápido, inodoro e mais sem traumas que qualquer mãe desfraldadora já testemunhou. Primeiro ele pediu pra tirar a fralda. Dia seguinte comprei meia dúzia de cuecas, um penico, me despedi da Pampers e foi isso, fim da história.

A partir daí não houve uma vez sequer que ele não tenha pedido pra ir ao banheiro fazer o business dele. Nenhuma.

Sério, desfralde de novela.

Mas antes que comecem a me chamar de nojenta, metida, desgraçada, esnobe, mulambenta e de outros adjetivos fofos que atribuímos às mães que se gabam de suas maternidades perrengue-free (meu filho seeeempre dormiu/comeu/mamou/cagou/acrescente aqui alguma outra mentira), deixa eu lembrá-las que isso não veio de graça -  eu sei que vou pagar caro por esse desfralde tranquilo.

Porque a mãe natureza, minha gente, trabalha por créditos.

E a verdade é que eu estava CHEIA de créditos a receber.

A saber:

- Meu filho não dormiu a noite inteira até os 16 meses de idade. Tenho amigas desgraçadas cujos filhos começaram a dormir a noite toda com, tipo, 5 dias de vida.

- Meu filho não comeu um prato inteiro até pouco tempo atrás. Tenho amigas nojentas cujos bebês batiam pratão de arroz e feijão com, tipo, 7 meses de idade.

- Meu filho sofreu com cada um dos dentes nascidos. Tenho amigas mulambentas que nem perceberam a dentição: foram dormir, acordaram e os filhos estavam lá, já com um bocado de dente na boca.

De onde se pode concluir que um desfralde manso e sem problemas é mais do que merecido e foi crédito conquistado.

Um cinegrafista amador registrou o momento em que papai e mamãe natureza discutiam o caso em questão.

- Essa moça ali já passou o cão, diz papai natureza. Posso dar uma aliviada no desfralde?

- Tá bom, alivia - responde a mamãe natureza. Mas os créditos dela terminam aqui. E ela que se prepare que eu vou mandar uma adolescência bem cabeluda.

- Primeira namorada vai ser punk?

- Sim, daquelas que coloca os pés no sofá e grita: "tiaaaaaaa, tem refri?" E o filho dela vai ficar amarradão. E vai tatuar o nome  BIA nas costas. Não, Bia, não. Manda NATASHA que é nome mais longo, daí a tatuagem vai de ombro a ombro.

***

Falando em tatuagem, ando cheia de vontade de me tatuar.

Sério. Sabe quando coroa acorda achando que tem 18 anos? Tô toda Susana Vieira.

Daí perguntei pra três amigas-mães-não-virtuais o que elas achavam da idéia de eu tatuar o nome do filhote no tornozelo. A resposta foi gritada, num uníssono: Não faça isso, sua louca!!!

- Pensa, Roberta, tatuagem com nome do filho!

- Imagina quando ele tiver uma namorada!

- E ela souber que a mamãe do namoradinho dela tem o nome do rapaz atrelado ao tornozelo!

- Vai te chamar de louca e desaparecer da vida dele pra sempre!

Então eu fechei os olhos e imaginei a tal Natasha vindo lá em casa, pra logo depois sair correndo, em polvorosa, após testemunhar o tornozelo da sogra. Realmente não faz o menor sentido esse negócio de mãe tatuar o nome do filho.

Vou marcar a tatuagem pra amanhã. Goodbye, Natasha.

***

 

Pra não dizer que não houve nenhum acidente, tivemos dois episódios: um na escola, onde ele passa as manhãs, e um com a mamãe aqui. Ambos acidentes ocorreram por culpa EXCLUSIVA dos adultos envolvidos.

No primeiro acidente Noah pediu pra fazer XIXI e a professora achou que ele estivesse dizendo XIE XIE, que é obrigado em mandarim.

Tá? Fiquei com uma pena do meu bichinho. Cheguei em casa, escrevi xixi e cocô num papel e entreguei pra professora, pra que ela lembrasse como que se mija em português (ô classe), até que ele se acostumasse a pedir pra ir ao banheiro em inglês.

No segundo acidente a culpa foi minha. Era o terceiro dia de desfralde e sabe quando a sua cabeça ainda não raciocina como cabeça de mãe cuecosa (ou calcinhosa). Pois é, estávamos eu e filhote em um Café aqui perto de casa quando meu telefone tocou. Era o entregador de alguma coisa, falando sobre detalhes da entrega, horário, endereço.

- Mamãe, mamãe!

- Filho, a mamãe tá no telefone.

-Mas mamãe...

- Shhhh, Noah, tô no telefone.

Daí ele não aguentou esperar pela bruxa mãe e fez xixi ali mesmo, no chão.

Tá? Fiquei com uma pena do meu bichinho. Cheguei em casa, troquei a roupa dele, pedi desculpas e dei umas 50 chibatadas nas minhas costas.

Depois o rapaz cresce, se apaixona por pessoa que atende pelo nome de Natasha, tatua o nome da moça nas costas e a mãe fica se perguntando onde errou.

***

[caption id="attachment_1528" align="aligncenter" width="1024" caption="NOAH LEAL MAIA"][/caption]

 


Olhando a foto acima, dois pensamentos me chegam a cabeça:

1. Meu filho cresceu e, com ele, o bumbum. Preciso comprar sungas maiores;

2.  O que aconteceu com aquela mulher pré-maternidade que abominava sunga amarela e cofrinho aparecendo? Aquela que já chegou a terminar o namoro com um sujeito só porque ele cismava em ir a praia com uma sunga branca e amarela? Olha a boca pagando, minha gente.