terça-feira, 20 de outubro de 2009

Matou o Pato Donald e Foi Trabalhar

Ando numa correria danada.  Resolvi assumir que sou muito dispersa para trabalhar em casa: aposentei meu moleton azul e camiseta do Pato Donald e estou saindo de casa pra trabalhar, feito pessoa importante. Consegui uma salinha pra chamar de minha: pequena, uma infiltraçãozinha aqui, outra ali, mas deveras honesta. Sorry, Donald. But it's time to say good bye.

***

Continuo atazanando o prefeito. Ele ainda não respondeu, não falei que ele era pessoa ocupada? A gente entende, prefeito. Mas fica feio divulgar email e não responder. Então, pra que você não esqueça da gente, eu estou re-enviando o tal email todos os dias. Assim:

Para: "eduardopaes" <eduardopaes@pcrj.rj.gov.br>, "secretariasprefeitura" <secretariasprefeitura@pcrj.rj.gov.br>,

Assunto: Olá! 

Para: "eduardopaes" <eduardopaes@pcrj.rj.gov.br>, "secretariasprefeitura" <secretariasprefeitura@pcrj.rj.gov.br>,

Assunto: Olá! (II)

Para: "eduardopaes" <eduardopaes@pcrj.rj.gov.br>, "secretariasprefeitura" <secretariasprefeitura@pcrj.rj.gov.br>,

Assunto: Olá! (III)

E por aí vai. Já estou no VI. Vê se responde logo, seu prefeito, que paciência tem limite e eu não sei escrever 97 em algarismos romanos.

***

Noah está andando e, por causa disso,  minha casa não tem mais enfeites, nem luminárias, nem dvds. Tudo se foi, junto com a camiseta do Pato Donald.  Sem objetos a casa ficou - lógico - com cara de recem comprada. A ponto do entregador de pizzas me dar as boas vindas ao bairro.

***

Essa semana tenho que:

- Terminar de pintar o tal cantinho. A infiltração fica. Ela dá um ar de  erm...sabedoria ao local.

- Levar meu material de escritório (caneta bic, bloco-brinde da Marmoraria Pacheco, cartão de visitas (com desconto, porque meu nome saiu errado).

- Espalhar fotos do Noah em lugares estratégicos: na mesa, na parede (e por cima da infiltração.)

- Arrumar um relógio bem grande pra eu não esquecer do horário de buscar o pequeno na escola.

- Explicar para a pedagoga que estou lidando super bem com a adaptação, a escola e a distância do filhote. Dizer que me sinto bem, madura, importante, livre e feliz com a idéia de estar longe.

(e depois confessar, sem parecer maluca, que aluguei uma salinha pra trabalhar que fica...erm...3 minutinhos a pé da escola? Ai.)

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Carta ao Prefeito

(e-mail enviado por essa blogueira a Ouvidoria da Prefeitura do Rio de Janeiro, em 14/10/2009. O número de registro é o 1114789 )

Prezado Senhor Prefeito,

Eu não ia escrever sobre isso, não, que isso é tema complicado. Mas como agora tenho um filho e o assunto diz respeito também a ele resolvi superar minha timidez  e, humildemente, pedir a sua ajuda, prefeito. Sabe como é,  quando nasce uma mãe nasce também uma leoa, o senhor concorda? (E quem é que se arrisca a não concordar com uma leoa, né prefeito?)

Desculpa se eu aqui não me expresso com todos aqueles "data venia" ou "solenemente requer" e outros puxa-saquismos galanteios gramaticais aos quais o senhor está acostumado. Sabe o que é, prefeito,  isso aqui é um blog de mãe. E em blog de mãe a gente escreve basicamente palavras do tipo cocô, fralda, arroto e pum. Então vai desculpando a falta de glamour, viu seu prefeito?

Eu, no momento, enfrento o seguinte dilema (e usar a palavra dilema na maternidade é até redundância,  pergunta pra sua esposa):

O Noah, meu filho, vai completar 1 ano. E agora ele vai pra escolinha, por meio período. Ocorre que, por falta de opção no Leme e em Copacabana, tivemos que o matricular em uma escola que fica em Botafogo. (Abre parêntese pra explicar que, pra conseguir vaga em alguma escola por aqui,  só em 2011. Não adianta chorar, nem levar torta pra diretora, nada disso. Só se eu mentisse e dissesse que eu tenho parentes importantes. Tipo o senhor. Mas isso é feio e eu já tentei e não funcionou. e eu me recuso. Fecha parênteses.)

Agora eis que eu me deparo com uma questão de ordem prática: a de como vou levá-lo e buscá-lo todos os dias. Então vamos as opções:

- A pé:

 O túnel que liga o Leme a Botafogo não é lá muito seguro. Acho que o senhor também não cruzava ele a pé, não, hein seu prefeito? Impossível.

- De taxi:

Primeiro é financeiramente inviável. Depois tem a questão do bebê conforto (o qual eu não ando sem) e que agora será enorme, já que Noah não cabe mais no bebê conforto. 

- De metrô:

Taí a primeira solução que veio a cabeça! Mas qual o que, o senhor não vai acreditar! O metrô não tem elevador! Quer dizer, até tem um em Botafogo, mas parece que a pessoa tem que descer as escadas primeiro, chamar um segurança para destravar o elevador, para daí então subir de novo e entrar no elevador.  Eu também fiz essa mesma cara de indignada que o senhor está fazendo agora, seu prefeito. Pensei: mas se eu tenho que descer de escada pra chamar o moço, onde fica o Noah e o carrinho enquanto isso? Lá em cima trocando idéia com o pipoqueiro? Eu não conheço o pipoqueiro da entrada do metrô, seu prefeito! Então não rola! Pensei em levá-lo no canguru, mas estamos no limite de peso (ele, não eu) para o uso do cangurú.

- De carro:

Taí. Pra mim essa opção é ainda mais complicada. Desde que voltei de Londres, onde vivi por quase 5 anos, vivo achando que tenho o direito de viver com o mínimo de segurança. Mania de gringo essa, né seu prefeito? Ocorre que antes de ir pra lá eu sofri um assalto a mão armada em São Paulo. Não sei se o senhor já passou por isso, mas dá um medinho legal, viu prefeito? Daí quando vim morar no Rio ouvi histórias terríveis sobre violência em situações que crianças estão dentro do carro. Resultado: traumatizei, acredita? Simplesmente não tenho coragem de dirigir e deixar meu filho sentado atrás, sozinho. Já pensei em fazer análise mas achei mais baratinho escrever pro senhor. 

O senhor pode me dizer "ema ema ema, cada um com seu problema". OU o senhor pode ser muito legal e me indicar uma direção, dizer o que faria no meu lugar?! Eu acho que o elevador no metrô seria a solução mais adequada, o que que o senhor acha? Até porque, cá entre nós, fica super feio: uma cidade que vai sediar as Olimpíadas não dá condições de ascesso a pessoas em cadeiras de roda?! O uso do carrinho,pra nós mamães & bebês, é passageiro. Mas o cadeirante  precisa desse serviço permanentemente! E ele paga imposto como a gente e deveria, portanto, ter o direito de utilizar o metrô. Eu pelo menos acho, prefeito!

Olha, eu não vou me estender mais porque sei que o senhor é homem ocupado. E eu sei que esse assunto talvez nem seja de sua esfera. Mas eu sou mãe (e leoa, lembra?) então não tenho tempo para "esferismos e alçadas em geral". Além do mais, o senhor é jovem e me passa uma coisa de integridade. E certamente conhece mais gente importante do que eu, que não conheço nem o pipoqueiro da entrada do metrô.

Se o senhor quiser conhecer um pouco mais do universo maternal é só dar um pulo no meu blog e dar uma lidinha na lista de blogs que estão a sua direita! Tem muita coisa engraçada e bastante informação sobre cocô, fralda, xixi e arrotos.

Conto com sua ajuda, prefeito. As mães - e eleitoras - do Rio de Janeiro e da blogosfera em geral, também. E pode contar com minha ajuda para quaiquer esclarecimentos.

Um abraço, 

Mãe de um (mini) cidadão

ps: como recebi uma respostinha padrão da ouvidoria resolvi telefonar para o gabinete e consegui o email direto do senhor prefeito. Re-enviei a carta hoje, dia 15/10 (com cópias para as secretárias dele).

ps1: respostinha padrão da ouvidoria:

Um bom dia,

A Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro - PCRJ, e a Secretaria Municipal da Pessoa com Deficiência - SMPD estão cientes das enormes dificuldades existentes em nossa Cidade no que tange a locomoção de Pessoas com Deficiência.



Para melhorarmos consideravelmente esse quadro, a SMPD está viabilizando um convênio com o Núcleo Pró Acesso da Universidade Federal do Rio de Janeiro- UFRJ, objetivando tornar os espaços públicos acessíveis na Cidade do Rio de Janeiro.

ps3: respostinha assim não serve pra mãe leoa, serve? ah, não...

domingo, 11 de outubro de 2009

O Mundo de Caras

Sabe a Bibi, aquela blogueira de humor afiado e inteligente do Leve um Casaquinho? Pois é, ela propôs uma enquete que ela mesma entitulou fuxicamento-espontâneo-de-utilidade-pública.

 Daí eu, fuxiqueira assumida, pedi permissão (que ela ainda não deu, hehe) para fazer o mesmo com os 2 ou 3 leitores fiéis desse blog.

As perguntas eram as seguintes, dois pontos, ipsis literis, abre aspas:

"1. Onde você mora?

2. É gestante, mãe, pai, avó, avô, tentante ou nada disso?

3. Qual é a sua principal atividade? (Quis dizer profissional, mas também valem respostas bem humoradas para quem não quiser dizer)."

Então eu queria saber, cara leitora: quem é você?

A autora da resposta mais fuxiquenta entrará na próxima edição da Revista Caras, nos seguintes termos:

"Fulana de Tal, 40, passeia com os gêmeos e exibe seu corpo esbelto, corpo este que já voltou ao normal  em apenas 5 minutos após parir os herdeiros!

"Nem Claudinha Leite foi tão rápida", diz a nova mamãe, enquanto levanta os pesinhos que levou para a maternidade.

"O segredo é enjoar bastante durante os 3 primeiros meses. E abusar bastante da azia no 7o. e 8o mês, assim você não engorda! Outra coisa: quando os gêmeos forem liberados posso substituir os halteres por eles, um em cada mão, certo?"

(e a gente coloca a tua foto maquiada, no berçário, vestindo roupa de ginástica, tá gata?)

PS: A propósito, essas foram as minhas respostas (não que alguem tenha perguntado):

1. Rio de Janeiro.
2. Uma mãe bem mais ou menos. O surviver se chama Noah. Ele segue firme & forte e vai fazer 1 aninho no dia das bruxas.
3. Como fênix, andei sacundindo a poeira (ou eram as cinzas, meu deus??) e estou abrindo meu (pequeno mas limpinho) negócio. Por pura falta de coordenação motora e criatividade o negócio tem a ver com crianças. As vendas serão on line e eu farei toda a parte de jabá assim que o site estiver pronto. No momento me sinto importante e bem resolvida ( mas já vai passar).

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Veni, Vidi, Vici (Da série: E não é que a gente sobrevive?)

Bem, aqui estou: inteiríssima, feliz e realizada, após traumáticas semanas pré-primeira-viagem-sem-o-pequeno. E lá está ele: inteiríssimo, feliz e faceiro após 4 dias sem a mamãe.

Confesso que o mais difícil foram os dias que antecederam a viagem, acreditam? Ah. Isso e o momento no taxi, rumo ao aeroporto. Eu, chorando copiosamente e abrindo meu coração pro taxista:

- Ai, que difícil. Mas acho que eles nem sentem muito, né?

- Sentem sim.

E o aeroporto ainda estava a milhas de distância.

•••

Quando eu estava esperando o embarque pensei "Ok, agora ele já está indo dormir, não vai sentir nada". E isso me ajudou a não dar o cambal e sair correndo do aeroporto. Outras coisas que ajudaram muito:

- As duas pessoas com quem eu estava já têm filhos maiores, já haviam passado pela mesma experiência e me garantiram que todo mundo sobrevive. E isso tudo sem nenhum ar de deboche, típico de quem já tem filho crescido e não tem paciência com mães de primeira viagem.

- Os reports do papai: eram dois relatórios por dia, por email. O balanço ficou assim: 8 relatórios e 12 fotos do Noah photoshopadas sorrindo MUITO em 4 dias de ausência.

- Keep yourself busy:  seja numa viagem de lazer ou trabalho manter-se ocupada ajuda e muito. Assim você não tem muito tempo pra se deprimir toda vez que passar um carrinho de bebê por perto (e eu juro por Deus, é murphy total: é só viajar sem a cria para que toda a frota de carrinhos de bebê da China passam pelo seu lado, pode se preparar)

- Lembre-se que um dia ele vai te pedir pra ir a um acampamento (com aquela namoradinha que te chama de tia): e daí você vai ficar pensando, puxa, sabe que eu deveria ter me preparado melhor pra tudo isso?

- Faça aquilo que seu coração mandar, clichezão mesmo. O meu coração dizia que era hora de cortar o cordão umbilical, mas isso é muito pessoal. Pode ser que você ainda não esteja pronta, e tudo bem que seja assim. Take your time.

- Eu voltei com uma sensação de que existe vida alem da maternidade. E que, apesar do Noah ser o centro da minha existência, não é justo delegar a ele a responsabilidade pela minha realização pessoal. Muita responsabilidade pra um ser tão pequeninho, eu acho.

- Se eu tivesse ido quando ainda não estava preparada (e como saber quando se está preparada, meu Deus?!) tenho certeza que tudo teria sido bem mais difícil. Acho que era a hora.

- Quando estávamos embarcando no avião, a Flávia, que já tem um filho adolescente, me disse que se pudesse voltar atrás teria feito tudo de uma maneira um pouco mais leve e menos angustiada. E esse virou meu mantra de viagem, até dormindo eu repetia. 

- A gente não deixa de ser mãe porque está longe. Antes mesmo de mostrar meu passaporte pro moço da Imigração eu já tinha mostrado a foto do Noah na minha carteira.

-Aliás a foto que você tem na carteira é pra ser mostrada pra todo mundo mesmo. E de acordo com o Código Mundial de Conduta das Corujas a pessoa a quem você mostra a foto deve sorrir e dizer que a criança é mesmo um espetáculo.

- O abraço que você vai receber na volta vai te provar que é preciso muito mais que uma viagenzinha pra te afastar daquele ser. E que, não importa a distância, o taxista ou aquela prima cruel que te fez sentir culpada 5 minutos antes do embarque, vocês são parte um do outro.

E isso ninguém nunca vai mudar.