quarta-feira, 30 de setembro de 2009

O dia em que a gente deixou de ser um (e eu me tornei Heleninha Roitman)

Bom, filhote, então chegou o dia em que  você é só você e eu sou só eu.

A mamãe vai ficar longe de você por 5 dias. E pode ter certeza que ela não faria isso se não tivesse a mais absoluta certeza de que você será bem cuidado e tal. 

Desde que você nasceu a gente só ficou afastado por umas horinhas, então a mamãe está achando difícil não andar pela casa chorando, não acordar de madrugada e devorar uma caixa de chocolates ,  não ligar pro pediatra 3 vezes ao dia  perguntando qual a dimensão do trauma que eu posso estar te causando. 

- Mas Doutor será que não fica registrado o abandono?

- Não

- Nem láááá no fundinho do inconsciente?

- Não

- Ah. 

Fora o trauma, fiquei com medo dessa assadura medonha que te apareceu.

- François, melhor ligar na American Airlines.

- E pra que?

- Ué, pra cancelar  a viagem, né? Não posso deixá-lo aqui, sem mim,  nesse estado. O pessoal acha que é besteira mas assadura na bunda pode ser fatal.

Ainda bem que teu pai nem sempre me leva a sério.

Numa última tentativa de não me separar de você eu corri pro teu berço hoje de manhã e, colocando a mão na tua testa  resmunguei:

- Mas que ele tá quentinho, tá.

Mas teu pai sorriu, me beijou e disse que  ia dar tudo certo.

Então não consegui arrumar uma desculpa pra ficar. Eu vou e você fica. Você fica no seu mundinho, seguro, com gente que te ama, seguindo a tua rotina. E sabendo que a mamãe estará feliz em poder voltar a trabalhar e lembrar de quem ela era antes de você existir.

E eu? Bom, eu serei aquela maluca no avião, de óculos escuros pra esconder as lágrimas. Tua fralda numa mão, lexotan na outra. E, ao melhor estilo Heleninha Roitman, vou gritar:

- Parem o avião! Tem um terrorista a bordo.

ps: Brincadeiras a parte, estou arrasada. Implorando por palavras de força e coragem. Por favor, deixe sua mensagem após o sinal. Piiiiiii...

ps2: O lexotan é brincadeirinha. Sou praticamente garota propaganda da Weleda.

ps3: Nenhum ato de terrorismo foi idealizado, arquitetado ou cometido por esta blogueira.

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Da Primeira Separação (e como isso não tem nada de engraçado)

Meu filho querido,

Quero te dizer que vai ser rápido, eu prometo.

São 5 dias e a mamãe tá de volta. Como 5 são os oceanos no mundo.

A mamãe vai porque ela está tendo uma oportunidade de trabalhar e voltar a fazer coisas que ela gostava de fazer antes de você nascer. E isso significa que ela vai ser uma mamãe ainda mais feliz (Se é que isso é possível.)

São 5 dias. Como 5 são nossos sentidos.

Você vai ser bem cuidado e vai receber toda a atenção necessária de um monte de gente que você gosta e que gosta muito de você.

5 dias passam voando. São 5 dias, como 5 são os dedinhos do seu pé.

A mamãe está com o coração apertado, pequenininho, espremido, de um jeito que nunca esteve antes. Claro, a gente nunca se separou por mais de algumas horinhas! Então a mamãe é meio nova nisso de ficar longe de você.

Mas vai passar voando: são 5 dias. Como 5 são

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

A tal da moleira

Outro dia eu recebi uma mensagem de uma mãe de 5 dias perguntando sobre a moleira do bebê. Eu queria pedir desculpa pela respostinha mequetrefe ctrl C+ ctrl V que eu acabei dando. 

Puxa, recem mamãe anônima, em minha defesa duas razões igualmente mequetrefes plausíveis:

 1. férias do marido (sério, ainda não acabou gente!) 

2. eu sou a pessoa menos indicada que eu conheço pra falar da tal moleira. Quando o Noah tinha uma semana e eu vi a cabeça dele pulsando sai correndo e chorando em direção ao François, dizendo que tinha ficado faltando uma cobertura na cabeça do rapaz.

Sério, eu até já tinha lido sobre a moleira. Mas aquele buraquinho pulsante certamente se encaixa numa daquelas coisas que você não sabia antes de ser mãe.

Então eu jogo pra frente a responsabilidade, mãe anônima. Até porque eu sei como são duros esses primeiros dias pós parto. E eu falar da moleira sem propriedade não ajuda, ajuda? Força aí, tudo vai ficar bem!

Então falemos sobre algo mais fútil: cabelos. No dia em que nasceu, Noah tinha o cabelo escuro e em (relativa) abundância:

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Aos 2 meses e a medida que minhas olheiras iam aumentando, os cabelos do rapaz iam diminuindo:

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E agora, aos 10 meses, a loirice começa a aflorar:

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Então, recem mamãe anônima, tire bastante foto desse recem nascido cabeludo! Esqueça a moleira e se concentre em todos os momentos de ternura e carinho que te esperam:

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Ups...os momentos de carinho e ternura que te esperam:

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quarta-feira, 16 de setembro de 2009

"Nós estamos sentadas almoçando quando minha filha casualmente menciona que ela e seu marido estão pensando em 'começar uma família'.

'Nós estamos fazendo uma pesquisa', ela diz, meio de brincadeira. 'Você acha que eu deveria ter um bebê?'

'Vai mudar a sua vida,' eu digo, cuidadosamente mantendo meu tom neutro.

'Eu sei,' ela diz, 'nada de dormir até tarde nos finais de semana, nada de férias espontâneas...'

Mas não foi nada disso que eu quis dizer.

Eu olho para a minha filha, tentando decidir o que dizer a ela.

Eu quero que ela saiba o que ela nunca vai aprender no curso de casais grávidos.

Eu quero lhe dizer que as feridas físicas de dar à luz irão se curar, mas que tornar-se mãe deixará uma ferida emocional tão exposta que ela estará para sempre vulnerável.

Eu penso em alertá-la que ela nunca mais vai ler um jornal sem se perguntar 'E se tivesse sido o MEU filho?' Que cada acidente de avião, cada incêndio irá lhe assombrar. Que quando ela vir fotos de crianças morrendo de fome, ela se perguntará se algo poderia ser pior do que ver seu filho morrer.

Olho para suas unhas com a manicure impecável, seu terno estiloso e penso que não importa o quão sofisticada ela seja, tornar-se mãe irá reduzí-la ao nível primitivo da da ursa que protege seu filhote. Que um grito urgente de 'Mãe!' fará com que ela derrube um suflê na sua melhor louça sem hesitar nem por um instante.

Eu sinto que deveria avisá-la que não importa quantos anos ela investiu em sua carreira, ela será arrancada dos trilhos profissionais pela maternidade. Ela pode conseguir uma escolinha, mas um belo dia ela entrará numa importante reunião de negócios e pensará no cheiro do seu bebê. Ela vai ter que usar cada milímetro de sua disciplina para evitar sair correndo para casa, apenas para ter certeza de que o seu bebê está bem.

Eu quero que a minha filha saiba que decisões do dia a dia não mais serão rotina. Que a decisão de um menino de 5 anos de ir ao banheiro masculino ao invés do feminino no McDonald's se tornará um enorme dilema. Que ali mesmo, em meio às bandejas barulhentas e crianças gritando, questões de independência e gênero serão pensadas contra a possibilidade de que um molestador de crianças possa estar observando no banheiro.

Não importa o quão assertiva ela seja no escritório, ela se questionará constantemente como mãe.

Olhando para minha atraente filha, eu quero assegurá-la de que o peso da gravidez ela perderá eventualmente, mas que ela jamais se sentirá a mesma sobre si mesma.

Que a vida dela, hoje tão importante, será de menor valor quando ela tiver um filho. Que ela a daria num segundo para salvar sua cria, mas que ela também começará a desejar por mais anos de vida - não para realizar seus próprios sonhos, mas para ver seus filhos realizarem os deles.

Eu quero que ela saiba que a cicatriz de uma cesárea ou estrias se tornarão medalhas de honra.

O relacionamento de minha filha com seu marido irá mudar, mas não da forma como ela pensa. Eu queria que ela entendesse o quanto mais se pode amar um homem que tem cuidado ao passar talco num bebê ou que nunca hesita em brincar com seu filho. Eu acho que ela deveria saber que ela se apaixonará por ele novamente por razões que hoje ela acharia nada românticas.

Eu gostaria que minha filha pudesse perceber a conexão que ela sentirá com as mulheres que através da história tentaram acabar com as guerras, o preconceito e com os motoristas bêbados.

Eu espero que ela possa entender porque eu posso pensar racionalmente sobre a maioria das coisas, mas que eu me torno temporariamente insana quando eu discuto a ameaça da guerra nuclear para o futuro de meus filhos.

Eu quero descrever para minha filha a enorme emoção de ver seu filho aprender a andar de bicicleta.

Eu quero mostrar a ela a gargalhada gostosa de um bebê que está tocando o pelo macio de um cachorro ou gato pela primeira vez.

Eu quero que ela prove a alegria que é tão real que chega a doer. O olhar de estranheza da minha filha me faz perceber que tenho lágrimas nos olhos.

'Você jamais se arrependerá', digo finalmente. Então estico minha mão
sobre a mesa, aperto a mão da minha filha e faço uma prece silenciosa por ela, e por mim, e por todas as mulheres meramente mortais que encontraram em seu caminho este que é o mais maravilhoso dos chamados. Este presente abençoado de Deus... que é ser Mãe.'

Autor Desconhecido"

Uma grávida serena

Então a minha amiga/irmã Dea (gravidíssima de 6 meses) me contou que a Luisa virou! A Luisa, que estava sentadona na barrigota da mamis, pensou bem e resolveu virar na posição morceguinho, ideal pro  seu nascimento.

Parabéns, Dea, excelente notícia. Legal que você ficou tranquila, serena, confiante. E em nenhum minuto duvidou que ela fosse virar. Igualzinha a mim. Dá uma olhada no poço de serenidade e lucidez que eu era no sexto mês de gravidez:

De Médico e Louco…

Em meus áureos tempos como advogada uma das coisas que mais me divertia (diverte agora, na época eu queria era morrer) era perceber que TODO cliente se achava um pouco advogado. Em diferentes graus, é claro, pois havia o cliente ouvinte que “ouviu dizer que dava pra entrar com uma ação” e o cliente atuante que já entrava na sala dizendo “doutora isso é caso de Mandado de Segurança.” E era sempre essa a ação que o infeliz queria entrar…Ora, achar que tudo na advocacia é caso de Mandado de Segurança é o mesmo que pensar que tudo na medicina é caso de exame de urina. O sujeito quer ver se o grau de miopia aumentou – exame de urina nele.


Depois de alguma prática eu aprendi a escutar o cliente e fazer ã-hã para os achômetros dele. Exemplo:


Cliente: Põe no pau Doutora, entra logo com um Mandado de Segurança!


Eu: ã-hã


E daí eu calmamente esclarecia que não era o caso. Num dia de TPM mais braba eu até saia com umas ironias desnecessárias, do tipo “Claro, brilhante! Mas …e no caso de indeferimento da liminar o senhor acha que deveríamos agravar da decisão interlocutória? Ou impetrar outro MS? Porque como sabemos sed istae omnes legis actiones paulatim in odium uenerunt.”   Café?


Bom, tudo isso pra dizer que essa gravidez me ajudou a perceber que esse mala sabe-tudo sou eu! Triste admitir mas esse é exatamante o tipo de paciente que sou, sem tirar nem por! Bom, pra começar eu: completo frases dos meus médicos, digo que já li no google e interpreto diferentes escolas da obstetrícia. Minha última pretensão foi – prestenção na petulância- determinar qual a posição do bebe em meu ventre. Acordei, e, sem mais nem menos disse “A casa caiu. O filhote está na transversal”.


Claro que me desesperei com meu diagnóstico! Pois se você pretende perseverar um parto normal essa não é exatamente a posição que quer que o bebe esteja. Contei pra todo mundo. E, como pessimismo não é lá muito a minha cara, em nenhum momento desaminei. Coloquei na minha cabeça que o baby haveria de virar de cabeça pra baixo custe o que custasse. As fofas Vitoria e Aline, que ministram o meu Curso para Gestantes foram, como de praxe, super solidárias, me animaram, me passaram exercícios, me disseram que tudo ia ficar bem. Teve amiga minha que até começou a rezar pro bebe virar, a oração do bebe morcego. Mon mari, paizão que já é, se comprometeu a fazer tudo que estivesse a seu alcance, desde leitura de mantras até iluminação artificial do baixo ventre (soa bizarro mas me parece que sentar numa lâmpada acesa pode fazer o rebentinho virar de cabeca pra baixo, já que ele tende a seguir a luz e o calor…eu li, eu li!!).


Liguei para o meu (paciente) obstetra:


Eu:” Dr., da pro senhor me receitar um ultra-som? é que eu descobri que o bebe está na transversal.”


Obstetra:  ”ã-hã”. 


Também levei o caso ao meu (pobre) pediatra:


Eu: “Dr, o problema é que tá na transversal…má sorte, néa?”


Pediatra: “olha, o único que pode te dizer isso é o obstetra ou um exame de ultrasonografia. Qual dos dois você fez?”.


Eu: “Nenhum, mas eu sinto chute bem aqui ó, e também aqui ó. O que mostra que ele tá deitadinho da silva.


Ele: “ã-hã”


Desnecessário dizer que meu diagnóstico não se provou verdadeiro. Deu pra ver no ultra-som: tá lá ele, de cabecinha pra baixo, todo morceguinho (rindo de soluçar da mãe). Ainda bem. Caso encerrado. Assim me sobra mais tempo para pesquisar e colaborar em outras esferas da medicina. Afff.


(ps: postado 2 meses antes do Noah nascer..e eu já cheia de noção, neah? ps2: a Dea é uma excelente fotógrafa, quem quiser dar uma olhada no lindo trabalho dela, tá aqui)

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Who let the dogs out?

Claro que nas férias do maridão fica mais difícil escrever, né? Até porque nós agora temos uma ajuda durante o dia, nos dias de semana, alguém pra ficar com o Noah enquanto o casal vai ao cinema! A tarde! De mãozinhas dadas! Que luxo, meu Deus, se eu soubesse disso antes.


E o mais incrível:  eu só ligo pra casa depois da primeira meia hora de filme. Ligação rápida, tá bem, tá, comeu, sim, o que comeu, quanto, tomou banho, claro, não esquece, tem que dormir, sei, deixa eu falar com ele, mas ele não fala, tô com saudade, olha a papinha, ele não tá acostumado, deve estar sentindo a minha falta, como assim não?????


Isso está sendo revigorante, quem sabe da nossa história sabe que as coisas andaram assim, digamos, meio rápido demais com o casal e a gente não teve muito tempo de fazer isso antes do bebê nascer. E muito menos depois que o bebê nasceu. Essas férias são, oficialmente, a merecida lua-de-mel.


Então Noah completou 10 meses e nós fomos ao cinema, pela primeira vez desde que ele nasceu. E ao parque, sem carrinho. E aa praia sem peixinho, pazinha, piscininha e todos esses apetrechos infantis que fazem da vida de um casal um estouro de sensualidade. Sensu-que?


E engraçado que, apesar das férias, a gente vem dormindo com as galinhas. E galinha careta, daquelas que as 9 já tá pedindo bença pra galinha mãe e entrando em sono profundo. Fora que eu sou a cliente mais mentirosa da locadora de dvds do bairro:


- Gostou do filme? - o moço sempre pergunta


-  Adorei.


- Final imprevisível, né?


- Super. Mesmo, imprevisível.


Mentira. Eu nunca sei o final do filme, já que nós dormimos sempre, impreterivelmente, nos primeiros 15 minutos. E esse final é bem previsível.


Daí a gente se pergumtou: por que  tanto sono?! Se agora, finalmente, temos alguma ajuda durante a semana?! Por que essa exaustão crônica?


Eis que a resposta está aqui nesse vídeo. Durante o fim de semana, eu filmei alguns momentos  do filhote.  E descobri a razão pela qual jantar a velas, aqui em casa, é um perigo. Acendeu velinha pra jantar romântico e os dois capotam e apagam as velas com as bochechas. Romanti-como??