sexta-feira, 29 de agosto de 2008

De Médico e Louco...

Em meus áureos tempos como advogada uma das coisas que mais me divertia (diverte agora, na época eu queria era morrer) era perceber que TODO cliente se achava um pouco advogado. Em diferentes graus, é claro, pois havia o cliente ouvinte que "ouviu dizer que dava pra entrar com uma ação" e o cliente atuante que já entrava na sala dizendo "doutora isso é caso de Mandado de Segurança." E era sempre essa a ação que o infeliz queria entrar...Ora, achar que tudo na advocacia é caso de Mandado de Segurança é o mesmo que pensar que tudo na medicina é caso de exame de urina. O sujeito quer ver se o grau de miopia aumentou - exame de urina nele.

Depois de alguma prática eu aprendi a escutar o cliente e fazer ã-hã para os achômetros dele. Exemplo:

Cliente: Põe no pau Doutora, entra logo com um Mandado de Segurança!

Eu: ã-hã

E daí eu calmamente esclarecia que não era o caso. Num dia de TPM mais braba eu até saia com umas ironias desnecessárias, do tipo "Claro, brilhante! Mas ...e no caso de indeferimento da liminar o senhor acha que deveríamos agravar da decisão interlocutória? Ou impetrar outro MS? Porque como sabemos sed istae omnes legis actiones paulatim in odium uenerunt."   Café?

Bom, tudo isso pra dizer que essa gravidez me ajudou a perceber que esse mala sabe-tudo sou eu! Triste admitir mas esse é exatamante o tipo de paciente que sou, sem tirar nem por! Bom, pra começar eu: completo frases dos meus médicos, digo que já li no google e interpreto diferentes escolas da obstetrícia. Minha última pretensão foi - prestenção na petulância- determinar qual a posição do bebe em meu ventre. Acordei, e, sem mais nem menos disse "A casa caiu. O filhote está na transversal".

Claro que me desesperei com meu diagnóstico! Pois se você pretende perseverar um parto normal essa não é exatamente a posição que quer que o bebe esteja. Contei pra todo mundo. E, como pessimismo não é lá muito a minha cara, em nenhum momento desaminei. Coloquei na minha cabeça que o baby haveria de virar de cabeça pra baixo custe o que custasse. As fofas Vitoria e Aline, que ministram o meu Curso para Gestantes foram, como de praxe, super solidárias, me animaram, me passaram exercícios, me disseram que tudo ia ficar bem. Teve amiga minha que até começou a rezar pro bebe virar, a oração do bebe morcego. Mon mari, paizão que já é, se comprometeu a fazer tudo que estivesse a seu alcance, desde leitura de mantras até iluminação artificial do baixo ventre (soa bizarro mas me parece que sentar numa lâmpada acesa pode fazer o rebentinho virar de cabeca pra baixo, já que ele tende a seguir a luz e o calor...eu li, eu li!!).

Liguei para o meu (paciente) obstetra:

Eu:" Dr., da pro senhor me receitar um ultra-som? é que eu descobri que o bebe está na transversal."

Obstetra:  "ã-hã". 

Também levei o caso ao meu (pobre) pediatra:

Eu: "Dr, o problema é que tá na transversal...má sorte, néa?"

Pediatra: "olha, o único que pode te dizer isso é o obstetra ou um exame de ultrasonografia. Qual dos dois você fez?".

Eu: "Nenhum, mas eu sinto chute bem aqui ó, e também aqui ó. O que mostra que ele tá deitadinho da silva.

Ele: "ã-hã"

Desnecessário dizer que meu diagnóstico não se provou verdadeiro. Deu pra ver no ultra-som: tá lá ele, de cabecinha pra baixo, todo morceguinho (rindo de soluçar da mãe). Ainda bem. Caso encerrado. Assim me sobra mais tempo para pesquisar e colaborar em outras esferas da medicina. Afff.

 

[caption id="attachment_104" align="aligncenter" width="180" caption="Meu morceguinho lindo: ele escapou de mantras e lâmpadas de 110kw"]Meu morceguinho lindo escapou da super mãe sabichona com sua lâmpada 110kw[/caption]

terça-feira, 19 de agosto de 2008

Then they said I DO...

Foi simples e lindo, como tinha de ser.

Na manhã do casório François acordou cheio de mistérios, com carinha de quem estava aprontando. E eu não consegui sacar nada, nadinha do segredinho dele. Vesti meu vestidão florido longo, primeiro porque gosto muito dele. Segundo porque ele era meu  plano A, B e C, tendo em vista o limite de opções no meu guarda-roupas, de vestidos que abriguem peito e barriga e ainda por cima me permitam respirar. Estávamos saindo de casa quando recebemos uma adorável surpresa do casal mais fofo do mundo, meus amados Déa e Edê. Um cartão daqueles borra-maquiagem-de-olho, lindas orquídeas, champagne e chocolate. Uma coisa. E o timing da chegada da surpresa foi perfeito. Thank you both!

Casal Vinte rumo ao cartório. Sorriso dos que (realmente) sabem o que estão fazendo:



 

Lá encontramos meus sogros Thérèse e Philippe e os padrinhos Winnie e Pedro. A juiza de paz era do tipo imponente, risonha, altiva. E entusiasmada o bastante pra nos fazer acreditar que éramos especiais e que esse era um dia especial, inclusive pra ela. E seu discurso, apesar de rápido, foi bastante apaixonado e não era unicamente baseado no casamento. Era um discurso que falava de felicidade, de amor, da cidade linda em que vivemos, e da importância de se reconhecer os bons momentos da vida.  Feito sob medida.

Foi rápido dizer SIM. Mas nossos sorrisos eram lentos, compridos, daqueles sorrisos sem pressa nenhuma de sorrir. Sem Marcha Nupcial, sem Wagner e seu Bridal Chorus, sem distrações casamentísticas. Só ficará na memória o gosto da certeza, o intenso brilho nos olhos e a simplicidade do dia em que, sorrindo, dissemos um pro outro: eu quero ficar (só) com você.

 

 Ah... those lovely surprises...

 Devidamente casados e de aliança no dedo, seguimos os seis para brindar a vida na casa dos sogros. Pessoas queridas, excelente champagne (grávida - não morta, darling). De lá seguimos ao D'Amici, aparentemente o restaurante com a carta de vinhos mais extensa do Rio de Janeiro e um dos couverts mais elogiados. Sabe aquele restaurante onde o couvert não é apenas um couvert? Nada de pãozinho canalha e  azeitinho mais ou menos (God forbid). Os pães, grissinis e focaccias estavam bárbaros, a pizza branca de alecrim a mais fina que já provei e o grana padano impecável. Depois da deliciosa cavaquinha com risoto, meu barrigão deixou de ser residência exclusiva do baby, que teve que dividir o espaço com a tal da cavaquinha. Eles ficaram amigos, de modo a conviver pacififcamente.



 

Nos despedimos de todos, abraços apertados e emocionados e François então me confidenciou que tinha surpresa:  tomar champagne "em um lugar, só nós dois". Imaginei que seria, de fato, um lugar bonito, mas não passava pela minha cabecinha que teríamos nosso próprio quarto e passaríamos a noite AQUI:

 



E muito menos que acordaríamos vendo ISSO:

[caption id="attachment_58" align="aligncenter" width="470" caption="vista da nossa janela (seis, eu disse seis da manhã)"][/caption]

 

Foi um sonho. Acordamos cedinho, contemplamos a paisagem e nos beliscamos, just in case. Se fosse pretensiosa pensaria que até os fogos de Pequim, daquela manhã de abertura de Olimpíadas, faziam parte da surpresa. Bom, pra mim fez. Pra quem tinha planejado uma rápida cerimônia seguida de um jantar gostoso pra poucos, dormir e acordar no hotel que ja recebeu estrelas como Ava Gardner, Jackie Onassis e Marlene Dietrich foi um inesperado e delicioso upgrade. São muitas as histórias que envolvem o Copacabana Palace. Eu acho fofo que Walt Disney tenha esboçado o personagem Zé Carioca em um dos quartos do Copa. E deveras bizarro que o Presidente Washington Luiz tenha tomado um tiro da amante ciumenta bem no saguão do hotel. E com o tanto de estrelas que ja albergou, o pobre hotel já testemunhou excentrecidades e ataques de estrelismos de todos os tipos. Orson Welles, que viveu no Copa durante 8 meses, atirou a cama e o criado mudo pela janela, num desses chiliques proporcionais ao tamanho do ego do rapaz.

Albert Einstein e Santos Dumont também se hospedaram lá. Eram os anos 20, década em que o hotel foi construído pela famíla Guinle, que comprou um alqueire de terras em uma praia deserta e desconhecida, chamada Praia de Copacabana.

 




 

                                                      Copacabana Palace, 1923

 



Mas é a Copacabana atual que testemunha nosso primeiro dia de casados.  Mr and Mrs Ferec começam com o pé direito, na calçada mais famosa do mundo. O benção.



 

 

Fale-me de Petrópolis...

 

Não contarei em detalhes porque lua de mel não se detalha, mas posso garantir que mon mari me surpreendeu novamente. Café da manhã devidamente tomado, fizemos malinhas e seguimos sentido  serra, para que eu, esnobe que sou, pudesse matar saudades do frio. Eba!!! Para chegar a Araras, você sobe uma serra linda enquanto sente a total mudança de paisagem e clima. O fresquinho da serra deve ter sido mesmo um alívio aos imigrantes alemães de tez des-melanina-da que colonizaram a região. O friozinho também agradou nosso estimado Imperador D.Pedro II, declaradamente apaixonado por Petrópolis (= cidade de Pedro, in case you didn't notice it). Diz que não saia dali. Contam que o Imperador exilado e no leito de morte, repetia a quem quer que o visitasse: "Fale-me de Petropolis".  Poor thing. 

Acender a lareira de nosso chalé foi uma das primeiras providências tomadas por François pois se dependesse de mim ainda estaríamos tentando)

 

O lugar é fantástico, cercado por Mata Atlântica e Araucárias, o pinheiro legitimamente tupiniquim. A comida estava ótima, visitamos a cozinha e entendemos porque: tudo feito com muito carinho e cuidado, simples e delicioso. Comemos muito bem, conversamos até pegar no sono, aproveitamos a hidro imeeeeeeensa do chalé e, claro, namoramos. Muito. Mas nada de detalhar detalhes.

[caption id="attachment_81" align="aligncenter" width="470" caption="sweet chalé"][/caption]

[caption id="attachment_92" align="aligncenter" width="470" caption="pedra maria comprida"][/caption]

[caption id="attachment_90" align="aligncenter" width="300" caption="what else can one wish for?"][/caption]

 




[caption id="attachment_95" align="alignleft" width="225" caption="...e nas horas vagas..."][/caption]

[caption id="attachment_96" align="alignnone" width="225" caption="...cócegas na barriga"][/caption]

terça-feira, 5 de agosto de 2008

Daquilo que não se pode ver

Faltam dois dias. Dois dias para que eu seja oficialmente chamada Mrs Ferec. Será apenas uma formalidade, já que a união - de corpo e de alma - já se concretizou. Seja pelo amor e respeito recíprocos, seja pelo fato de que, em breve, estaremos vivendo sob o mesmo teto. Sem mencionar a maior evidência de todas, evidenciazinha essa que não para de me chutar a barriga.

A nossa história é linda, bem pouco convencional, e começa em um avião. Nos conhecemos em um vôo da Tam, graças aa fase desastrosa que atravessava a aviação brasileira: ele acabou sendo re-acomodado justamente no vôo em que eu estava. Não fosse a greve dos controladores de vôo e a bagunça desse país, nossos caminhos provavelmente não teriam se cruzado. Deixa a revista da TAM saber disso.

Lembro de uma noite fria em Londres, dessas de muitas divagações, chá e chocolate, em que Fru, Bia e eu filosofávamos justamente sobre isso, inspiradas pelo filme  Sliding doors, que acabávamos de assistir. O filme não tem nada assim de tão especial, mas traz duas versões da vida de uma mesma pessoa tivesse ela entrado ou não naquele vagão, daquele metrô, naquele instante. Vale a pena assistir, se você, como eu, já testemunhou que em um segundo tudo pode mudar. Pro bem e pro mal.

A minha vida sempre foi um pouco assim. Há 15 anos atrás eu decidi que era hora de me despedir da ingenuidade sulista e mudar para São Paulo. Munida daquela coragem herculana, própria de quem ainda não conhece as regras do jogo, eu tentava transferir minha faculdade pra capital paulista.  E apesar de nunca ter almejado tanto alguma coisa, e, diferente do que me prometia a Xuxa, meu querer é poder mantra não funcionou. Não num primeiro momento - recebi exatos 7 nãos, de 7 universidades diferentes e sai chorando de todas elas, feito Maria de Fatima na novela Vale Tudo. Mas qual o que, minha sorte virou! O destino, com pena de mim, gentilmente preparou mais um daqueles encontros e eu acabei por sentar ao lado da pessoa certa, na hora certa (curiosamente no aeroporto e de novo por causa de atraso de vôo...ê carma). Enfim, a pessoa era poderosa, bem intencionada e me agilizou a sonhada transferência. Graças aquela boa alma e ao destino que me sentou perto dela eu acabei por viver 8 anos em minha querida SP. E minha vida mudou para sempre.

Mas voltando a nossa histoire d’amour. Trocamos poucas palavras no avião. Poucas palavras, muitos olhares. E o email, claro, pois não há Universo/Destino/Acaso que consiga trabalhar direitinho se o sujeito não facilitar.

Era novembro de 2006. Voltei pra Londres, ele ficou no Brasil e me mandou o seguinte email, Assunto: Adoro os controladores de vôo.

Oi Roberta,
Adorei viajar e conversar com voce. Alias pela primeira vez agradeco os controladoresde voo que atrasaram minha saida de sp e que possibilitaram nosso encontro.
Vc tem um lindo sorriso que vem de dentro e ilumina os que estao a sua volta.
Adoraria te rever.
Mil beijos e boa sorte nas obras da sua casa.
Francois
————————–

Ao que respondi:

Olá, você! Pois é. Você vê que até atraso de vôo, fila, chuva, telefone ocupado e unha incravada têm um lado bom, né não? Só basta a gente perceber e não deixar passar batido (…)Também adorei te conhecer, Fran. Quem sabe não nos cruzamos em um dos quatro cantos desse mundão?!Estou por aqui. Mantenha contato, cuide-se e não desapareça em um veleiro qualquer.

Roberta

Ficou um sentimento estranho e bonitinho no coração. Hoje sabemos que, alguns dias após trocarmos aqueles emails, uma das coisas mais surreais aconteceu. Ele foi aa França no feriado de Natal/Reveillon encontrar a família, com quem seguiu para uma cidade fofíssima chamada Les Gets, onde, pasmem, Robertinha aqui coincidentemente também estava! Se você observasse de cima, veria um tristonho de um lado, o outro cabisbaixo do outro. E é bastante provável, que num vilarejozinho daquele tamanho, que faz Altinópolis parecer megalópole, nós tenhamos entrado no mesmo café, sentado perto um do outro, sem termos nos visto. Ora, o destino sabe o que faz! Como eu estava acompanhada, se tivéssemos nos visto lá, naquelas circunstâncias, talvez nunca mais fôssemos querer nos ver. Tô falando, o destino, que é homem barbudo, sabe o que faz. Sentou e pensou "não, aqui não, aqui não é a hora nem lugar".

Confesso que não trocamos mil emails. Mas tampouco nos perdemos de vista. Talvez porque sentíamos que aquele encontro na aeronave havia sido mágico. Indeed.

Bom, quando vim ao Brasil em 2007, um ano após termos nos conhecido, avisei ao moço bonito que estaria aqui e adoraria vê-lo. Marcamos de nos encontrar no aeroporto de salvador (yep, a Rainha da Infraero). Eu tinha certeza que ele era do bem, mas mesmo assim avisei a moça do salão de beleza do aeroporto que passaria em frente e faria um sinal, pois ela assim saberia quem me matou, se me encontrassem na Lagoa do Abaeté, morta e de havaianas.

Tudo fluiu perfeitamente, como haveria de ser. O encontro, o local, a energia, tudo. Fui pra ficar três dias e trazer cocada pra mim mãe. Fiquei 22 e trouxe um neto na barriga, ao invés. 

Claro que foi um susto geral. Mas, no fundo, os dois sabiam que haviam sido escolhidos a dedo, que isso era coisa pensada, que era trama do barbudo. Essa criança, nosso filho, é prova do milagre que são os encontros inesperados, promovidos por essa força do Universo. O encontro entre duas pessoas que nunca deixaram de acreditar no amor e nos sinais que a vida nos dá. E pra todos aqueles que, ainda assim, insistem em acreditar na tal da Coincidência, segue a mensagem que eu enviei ao celular do François dias após termos nos encontrado, muito provavelmente no dia em que nosso filho foi gerado:

"Nossas almas estão felizes, brincando  faceiras, nos espiando de cima.  O universo, que sempre esteve a nosso favor, também ri satisfeito. Ele e o destino comemoram a façanha: o encontro de duas almas que se pertencem. "Mais uma vitoria", sussuram os dois, enquanto degustam bom vinho, lá do alto da arquibancada."

 François, meu amor, quero que nosso filhote um dia saiba de como tudo começou. E que ele entenda que nossa pequena família somente existe porque mamãe e papai seguiram seus instintos. E acreditaram naquilo que não se pode ver.

Love you loads.



segunda-feira, 4 de agosto de 2008

Grumpy, very grumpy indeed

E o melhor a fazer nesses dias de rabujentice é evitar qualquer contato, com quem quer que seja. Sei que nada justifica essa minha azedice, mas prestenção:

- As obras na nossa casinha parecem nunca ter fim e, enquanto isso, não tenho cozinha, nem máquina de lavar roupa, nem paz e nem vizinhos que (genuinamente) me desejem um bom dia.

- Eu caí. Duas da manhã, e lá estou eu, ridiculamente estarrada ao chão do banheiro. Pura e simples falta de equilíbrio. Eu poderia jurar que senti o baby-esquilo soluçando de tanto rir da minha cara. 

- Adquiri a graça de um hipopótamo. Francamente, perdi meu rebolado, logo meu rebolado, que era minha marca registrada, minha ilusão romântica de que o mundo é constantemente embalado por trilha sonora escolhida por mim!? Not anymore. Depois que o bebe nascer, fisioterapia e reza braba, se quiser reencarnar meu bom e velho estilo babalú de deslizar.

- Da azia eu prefiro não falar muito. Mas posso adiantar que é sem fim, como a tal da obra na cozinha. 

- E agora pouco fui atacada e tive as canelas mordidas por um pigmeu canino absolutamente histérico, um projeto de Nina Hagen na menopausa, que, dentre tantas outras canelas, preferiu a minha.  Porque canela de hipopótamo há de ser mais suculenta.

Humpf.

 

sábado, 2 de agosto de 2008

Meus Dias no Saara

Quem me conhece sabe que meus dotes manuais impressionam tanto quanto o charme de George W. Bush, a maturidade de Britney Spears ou a auto-estima de Amy Winehouse. Eu sei tanto de artesananto quanto sei sobre a economia da Guiana Francesa. 

Having said that sou tinhosa, tenho tempo, relativo bom gosto e estou cheia de hormonios de gravidez. O processo todo começa aqui. Esse é o Saara, a meca do barato. Eu desconfio que eu tenha um gosto refinado trancafiado dentro de um espírito de pobre. Me acabei no tal do Saara. São três ruas principais longuíssimas, cheias de muita coisa ruim, mas também, muita coisa bacana, se você tiver olhos de águia (o tal do espírito de pobre). Essa peça por exemplo, vem de lá. Só colocar uma velinha dentro e voila! E foi barganha, posso garantir. Também resolvi fazer os nichos do quarto do baby sozinha. Você compra as peças feitas em mdf, que é aquela madeirinha com cara de sonsa, compra a tinta apropriada, espalha jornais pela casa e pronto. Juro que é simples assim. Esses nichos prontos podem custar até R$60,00 na Tok & Stok, I mean, tenha dó. 

Nicho em mdf: entre R$8,00 e R$12,00, no Saara.

Tinta apropriada: R$ 4,50 o tubo (da pra dois nichos)

Eu que fiz, eu que fiz, eu que fiz: Não tem preço.

 

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

Gestando

Aos preocupados e preocupadas em minha vida. Não, eu não estarei sozinha na hora h, em que a bolsa estourar. Primeiro que tenho muita fé e pouco juízo (e esta é uma combinação que costuma dar certo.) Segundo que trabalho de parto pode levar horas e, até lá, o pai certamente estará ao meu lado, todo fofo, me ajudando com os exercicios pré-parto. Aparentemente os exercícios ajudam a reduzir a tal da dor das contrações. Eu tenho lá minhas dúvidas, afinal, chá de carqueja nunca me curou nada e meu soluço persiste, mesmo quando eu tranco a respiração. Sigo fazendo minha parte: yoga, meditação e longas conversas com Mr G. Mas, na hora h, if the worse comes to worse, acho beeeeeem difícil mamãe aqui dizer "não, muito obrigada" quando me oferecerem anestesia.

Aqui estou aos 7 meses de gestação. Engraçado que eu não incentivo nem meu próprio futuro marido a tirar fotos minhas enquanto pessoa gestante. No entanto, no meio do filme, no Cinema do Museu da República, eu vou escondidinha ao baheiro e zap (seria esta a onomatopéia apropriada??), tiro um par de fotos escondidas. How very subversive, diz ela. 

Observando o Vão

Se engana aquele que, de volta ao Brasil após longa temporada em terra alheia, crê que não sentirá a menor saudade da ex-vida de ex-pat. Sente sim. Eu mesma, vez em quando me pego tragada pela melancolia, saudosa da minha Londinium. Me controlo pra não soar lamentosa e azeda, posto que tenho orgeriza daquele  que volta mas não volta.  E faz comparações esdrúxulas entre o statuo quo e o anterior. Eu, hein? Insuportável, sujeito repetindo "porque láaaa", "é que láaaaa", "imagine que láaaaa". Intragable, como eles diriam lá.

Não que eu não ame o Rio de Janeiro, longe disso. Em que pese os problemas (que não são poucos), o Rio simplesmente não existe e eu adoro sentir o olhar de invejinha dos que vêm somente pra passear. Morador que é morador sabe que cara deve fazer ao caminhar pelo calçadão de Copacabana. Eu já aprendi - ponho minha melhor carinha de moradora, um andar meio solto, meio sem hora pra voltar. Faço jeito de quem vai continuar ali, uma cara de "pode me abanar do avião". Então, só pra ficar claro, quanto a voltar ao Brasil e morar no Rio, no regrets.

Mas voltando as saudades de Londres, elas vêm e vão, feito metrô.  Ah, o metrô londrino.  Saudade vem  quando eu lembro do quanto era fácil chegar by tube a qualquer lugar, quase a qualquer hora (e o quanto era seguro fazê-lo). E quando penso na organização tácita, impregnada na sociedade, onde só se entra no trem depois que todo mundo sai. E onde se deixa livre a esquerda na escada rolante (...porque láaaaaa...). No metrô carioca - needless to say - as coisas não funcionam desse jeito. Os horarios são limitados, as linhas são limitadas e nós usuarios nos limitamos a ignorar qualquer regra não escrita e dizemos Ih..não podia? Não gostamos do tal do Tácito.

Well, mais ou menos. Outro dia relembrei uma regra não escrita e, até onde eu sei e pelos países que visitei, de autoria brasileira. Regra esta que todo mundo por aqui respeita: A regra do sentou, segurou. No nosso metrô, lugar de mochila pesada é no colo de quem teve a sorte de sentar. Requer um pouco de técnica, mas é simples: quem tá em pé deixa bem a mostra o objeto pesado; quem tá sentado só faz esticar o braço, catar o sobressalente alheio e ajeitá-lo no colo. Convem sempre lembrar das regras do esse quebra/amassa. Marmita, por exemplo, melhor deixar em cima.

Grávida também é considerada "coisa pesada", então também senta. Sempre, sempre, sempre. Nunca viajei em pé. E se recuso fica chato, porque são 2, 3 oferecendo, então parece desfeita minha.

E a saudade de Londres passa? No way, Jose. Mesmo com todos aqueles passageiros mau humorados, ainda sinto uma falta imensa do cheiros, dos jornais, das diferentes caras e tipos e daquela voz de mãe me mandando "stand clear off the closing doors". Tudo isso está tão longe, mas ainda tão perto de mim. Oh well.. sempre existirão a Northern e Metropolitan lines. E enquanto eu não puder visitar Londres e matar saudades do Mind the Gap, estou feliz, muito feliz, aqui, simplesmente Observando o Vão.